A expedição da equipe da Associação Turística do Norte Pioneiro do Paraná (Atunorpi), formada pelo presidente Welington Bergamaschi e o consultor João Gouveia Cezar na companhia de geólogos, está busca de potenciais geossítios em várias cidades do Norte Pioneiro, o que proporcionou um achado espetacular na cidade de Bandeirantes.
Durante as visitas técnicas, os geólogos encontraram “lava em corda” no município. Para o consultor, João Gouveia, foi uma grande surpresa o achado. Segundo ele, foi encontrada uma grande formação geológica em uma pedreira inativa próximo ao Santuário São Miguel Arcanjo.
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Segundo explicações dos geólogos, esse fenômeno acontece quando a lava sai através de fissuras de vulcões, desce, calcifica e a formação fica evidente. De acordo com João Gouveia, já foram encontradas em outros lugares a mesma formação, mas bem menores e a encontrada em Bandeirantes seria uma das maiores da placa tectônica em que está o Norte Pioneiro, a placa que compõe o sul do Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Chile.
O geólogo do Instituto Água e Terra, Gil F. Piekarz destacou a importância do achado. “Esse é realmente um ponto muito importante. As feições que chamamos de lava em corda, no topo de um derrame de basalto, derrames vulcânicos que é muito singular e muito rara na bacia do Paraná. Essa lava tem em outras partes do derrame de basalto que chamamos de grupo Serra Geral, mas não são tão bonitas. A formação em Bandeirantes é bem exclusiva. Como o Otavio e o Arioli que andaram muito pelo Serra Geral, eles realçaram bem esse afloramento, porque é como se fosse único, especial mesmo”, afirmou.
Como afirmado por Gil, o geólogo Otavio Augusto Boni Licht também comentou sobre a descoberta especial. “O piso da Pedreira de Bandeirantes apresenta contínua exposição de lavas em corda, feição típica e característica de um derrame de lava basáltica do tipo pahoehoe, com cerca de 134,5 milhões de anos. Podem ser observadas alterações na direção e no sentido do fluxo, principalmente quando o derrame se dividiu em lobos ao contornar pequenas elevações e irregularidades da antiga topografia. No extremo norte da cava, o derrame de lava penetrou um pequeno lago salgado, produzindo massas de lava vesicular envolvidas por sedimento e com cristalização da pofilita verde”, detalhou.
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Ainda de acordo com Gil, a formação encontrada é uma das mais belas da região. “É muito bonito, porque a pedreira também é muito bonita. Ela não é funda, é rasa, é plana, tem essas exposições e outras coisas interessantes, braços vulcânicos clássicos”, disse.
O presidente da Atunorpi, Welington Bergamaschi comentou sobre esses “tesouros” da região. “Quanta riqueza encontramos no Norte Pioneiro. O senhor José Roberto Altizani, de Bandeirantes, havia me chamado atenção para uma formação geológica diferente encontrada na pedreira local. Foi a partir desse momento que buscamos especialista da geologia para opinar. Sabe-se que é grande o potencial da pedreira a ser explorado como importante produto turístico, tanto na área educacional, lazer, aventura, contemplação e muito mais, sendo um projeto amplo, onde não faltarão investidores e parceiros para levar a contento essa raridade”, comenta.
O consultor da Atunorpi, João Gouveia, destacou o potencial turístico da região. “Temos uma coisa muito bacana, mais uma vez o destino turístico de Bandeirantes ele se valida e se posiciona como ‘uma terra que emana leite e mel’, porque é surreal, tanto para o turismo religioso, quanto para qualidade dos vinhos do La Dorni, vinhos canônicos, pessoal do mel, do morango, e agora essa descoberta arqueológica da parte da geologia bem bacana. Acreditamos que Bandeirantes e o Parque Mina Velha em Ibaiti serão um dos suprassumos desse novo futuro geoparque do Norte Pioneiro”, finalizou.
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