Quem vê de longe pode até pensar como uma cidadezinha de apenas 5 mil habitantes pode ser tão conturbada politicamente.
Japira caminha para seu sétimo prefeito em pouco mais de três anos, acometida por episódios de morte, cassações e escândalos políticos que parecem não ter fim.
Em outubro de 2016 a população foi às urnas e elegeu o jovem Walmir Wellington para prefeito, porém as eleições já ocorreram conturbadas, pois o oponente e então prefeito interino, José Claudio de Oliveira Santos, o Capotão, teve sua candidatura indeferida pela Justiça. Ele era irmão e vice do ex-chefe do Executivo Wilson Ronaldo Rony de Oliveira Santos, que teve o mandato cassado em abril de 2016 pela Câmara de Vereadores, em razão do trânsito em julgado no processo de improbidade administrativa, referente a crimes cometidos na gestão de 2001.
Após quase um ano de mandato, Walmir, a esposa Luciane Freitas e a filha sofrem um acidente que acabou tirando a vida do então prefeito. Uma grande comoção se formou entre os munícipes, que novamente se viram diante da incerteza em seu Executivo.
Há rumores de que Walmir, se não fosse vitimado por um acidente, também poderia não terminar seu mandato, pois já haviam indícios de que a oposição pediria sua cassação.
Com a morte de Walmir, quem assume é o vice José Geraldo dos Santos, o Geraldão (DEM). Ele conduziu a prefeitura por sete meses até que foi denunciado pelo uso de veículo da prefeitura para atividades desvinculadas da atividade do Executivo, também a suposta prática de nepotismo dentro de secretarias do governo, além do uso de maquinário agrícola da prefeitura em fim de semana e por funcionário não habilitado, finalizando com a existência de 30 prestadores de serviço em contratos RPA (Recibo de Pagamento Autônomo), regime sem os devidos direitos trabalhistas.
Por 6 votos a 3, novamente Japira perde seu prefeito e novas eleições são convocadas para dezembro deste ano.
Enquanto isto, quem assume é o presidente da câmara Lauro Aparecido de Carvalho, e em seu lugar na presidência da Casa de Leis, assume seu vice Rogerio Vicente Pereira, o Rogério do Morango (DEM), ao passo que um suplente de Lauro é convocado, Marcos Antônio dos Santos, o Marcos Banana, também do Democratas.
O então prefeito Lauro deveria permanecer até a diplomação do chefe do Executivo eleito, no entanto, também acaba perdendo, não só o mandato provisório, mas todos os direitos políticos. O motivo foi uma condenação na esfera criminal em 2ª instância, referente a uma acusação de violação de domicílio feita pela ex-mulher. A condenação fere a Lei da Ficha Limpa e tem como efeito a suspensão dos direitos políticos, ou seja, Lauro não era mais prefeito interino, nem vereador. O cumprimento da decisão judicial aconteceu nesta segunda-feira (10).

Durante a sessão, na qual foi anunciada a perda dos direitos políticos de Lauro, o vereador Edno Queiroz Rodrigues (PHS) recebe um telefonema noticiando a morte de sua cunhada.
O vereador, visivelmente transtornado, pediu a renúncia verbalmente e saiu as pressas da câmara.
Seu pedido não foi levado em consideração pelos vereadores, devido ao momento de consternação vivo por Edno, mesmo porque a renúncia deve ser um pedido por escrito.
Em conversa com a Folha Extra, o vereador disse que havia sim um anseio de desistir da vida política, e, com a morte da cunhada, a qual, segundo ele, era como uma irmã, ele sentiu que a política estava de certa forma o distanciando da família e que, se não fosse vereador, poderia ter dedicado mais tempo a ajudar a familiar, que já sofria com uma depressão e pedia constantemente que ele deixasse a vida pública.
Contudo, diante de pedidos da câmara, Edno decidiu que irá continuar nas funções legislativas.
Com a “saída” de Lauro, Japira perde agora o prefeito interino e também presidente da câmara efetivo e, em mais um episódio da “dança das cadeiras”, novos nomes ocupam as chefias do Executivo e Legislativo.
O então presidente da câmara Rogério do Morango se torna prefeito interino e, em seu lugar no Legislativo, assume o vereador Thiago Augusto Mendes Abucarub (PR).
A previsão é de que Rogério se mantenha na prefeitura até a posse dos eleitos, que deve acontecer em aproximadamente 30 dias e, apesar do pequeno espaço de tempo, o prefeito interino afirmou à reportagem que irá fazer algumas mudanças, que ele julga necessárias para a administração de Japira. “Tem algumas pessoas que precisam ser mudadas sim, é só um mês? É, mas quero manter tudo funcionando para a chegada do novo gestor. É o momento de pensar na população, nós somos eleitos pelo povo e para o povo, chega de intrigas, de embate pessoal, o foco é o desenvolvimento de Japira, não podemos parar de novo”, assegura.
Vale lembrar que Rogério é o sexto prefeito no intervalo entre 2016 e 2018.
No último dia 9, Angelo Marcos Vigliato, conhecido como Angelo da Saúde (PSB), e seu vice Paulo Morfinati (PSB) foram escolhidos, em eleições suplementares, para gerir o município até 2020.
Jovens na vida pública, a dupla deve entrar com o pé direito e tem o compromisso de devolver a estabilidade política ao município. “Fico feliz por ver que a politica nova está se sobressaindo e a velha ficando para trás”, comemorou Angelo, que será o sétimo prefeito em três anos.
Com este currículo é visível que o maior desafio dos gestores em Japira é terminarem seus mandatos com honra e comprometimento com o município, desafio este, incumbido aos eleitos Angelo e Paulinho, que devem assumir por volta do dia 15 de janeiro de 2019.


