No dia a dia, muitas coisas acabam passando despercebidas para as pessoas de tão simples e cotidianas que elas são, como tomar um banho, pentear o cabelo, escolher o look do dia e até mesmo comprar ou pagar contas. Porém, o que para muita gente é algo simples e normal, para algumas pessoas é uma grande conquista e motivo de orgulho. É o que tem acontecido entre os alunos da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) de Wenceslau Braz.
Tudo começou quando, em uma reunião entre representantes de escolas da região, a professora Adriana Cristina Ferreira achou um projeto interessante e viu potencial para adaptá-lo na realidade de seus alunos da Apae. “A princípio tratava-se de um projeto voltado a diminuição da evasão escolar, mas acabei observando que com uma adaptação aqui e outra ali poderia trazer muitos benefícios aos nossos alunos”, conta a professora.
Com isso, surgiu o “Meu dinheirinho” que é uma espécie de bonificação aos alunos por cumprirem com seu cronograma de atividades na escola e em casa. “Nós criamos um dinheirinho simbólico. Aí temos uma tabela onde eles têm uma bonificação por tarefa cumprida como a higiene pessoal, alimentação, uso do banheiro, comportamento, participação nas tarefas pedagógicas e atendimento técnico, entre outras”, explica.
Além da novidade promover melhoras no comportamento e interação dos alunos na escola, o método também contribui para que os alunos tenham uma noção básica de cálculo e proporção. “A gente busca trabalhar também a questão abstrata como, por exemplo, uma nota de cinco reais vale mais do que quatro de um, pois eles acabam tendo uma dificuldade nessa assimilação. Aí o projeto tem contribuído com o desenvolvimento deles nesse sentido e também na área dos cálculos”, relata a professora.
O projeto em si é bem simples, mas, de acordo com a professora, tem envolvido bastante os alunos. “Eles têm se dedicado bastante, fazem as tarefas para ganharem o dinheiro e já projetam o que querem comprar, isso acaba tendo um aspecto inclusivo para os alunos”, comenta.
PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE
Não é à toa que os alunos estão entusiasmados com o projeto que, além do aspecto educacional e inclusivo, ainda tem um âmbito solidário para realizar sonhos, como conta Adriana. “Todos esses alunos tem um sonho, muitos bem simples, mas que gostariam muito de realizar. Com isso, veio a ideia de unir o projeto ‘Meu dinheirinho’ com a realização de um bazar onde eles irão poder gastar o valor que arrecadaram durante o semestre comprando aquilo que eles tanto querem”, explica.
Uma caixa de som com pendrive, aparelho celular ou um conjunto de roupa. Vários são os desejos dos alunos da Apae e a população pode participar entrando em contato com a instituição e doando objetos em bom estado que podem fazer a alegria dos estudantes. “Quem puder ajudar basta nos procurar, as vezes pode ser que a pessoa tenha em sua casa um objeto que não utilize mais e aqui para estes alunos vai proporcionar uma alegria enorme. Além disso, em alguns casos, estes objetos podem ajudar bastante os alunos e suas famílias”, comenta.


