Na última semana, a Folha Extra e demais órgãos de imprensa da região noticiaram um caso no qual um homem perambulou cerca de cinco dias após passar por uma Síndrome de Abstinência. O fato ocorreu em Santo Antônio da Platina, mas a questão pode ser considerada como um problema de saúde pública, visto que as crises são sentidas desde a falta do uso de cigarros, bebidas alcoólicas até o uso de drogas.
Além de sintomas emocionais como ansiedade, inquietação irritabilidade, insônia, dores de cabeça, falta de concentração, depressão e isolamento social, é importante lembrar que o usuário em abstinência, passa por variações químicas decorridas do uso constante da substância.
Diante dessa explosão de reações do corpo durante a privação do uso, para enfrentar uma batalha contra o vício é imprescindível o acompanhamento durante o tratamento. Para tratar desse assunto e falar sobre as dificuldades de quem convive com as crises, a reportagem entrevistou a química Danielly Juliana Anholetti, que também atua como farmacêutica há 17 anos e como assistente social há nove.
“A ajuda mais eficaz para tratar a Síndrome de Abstinência é o acompanhamento médico do usuário, pois cada um tem suas características pessoais, bem como utiliza quantidades de substâncias ilícitas diferentes, além de outros aspectos como se já teve problemas mentais, físicos ou interpessoais, esse diagnóstico e a peculiaridade de cada paciente é fundamental para tratar a síndrome”, ressalta.
Ao interromper o uso de entorpecentes como maconha, craque, cocaína, ou mesmo o álcool, de maneira constante, e até o cigarro, o dependente pode passar por uma série de perturbações no organismo, como conta a especialista.
“Ao ficar sem a substância que o organismo está ‘acostumado’, o dependente passa por uma série de alterações comportamentais e até sensações físicas e mentais, esses sintomas podem acontecer em diversos graus”, comenta.
Segundo Danielly, na maioria dos casos o usuário apresenta sintomas como convulsões, hiperatividade, tremores, insônia, alucinações visuais, táteis e auditivas, descontrole psicomotor e ansiedade.

Danielly Juliana Anholetti também atua como farmacêutica há 17 anos e como assistente social há nove
“No caso de abstinência de álcool o paciente já tem comprometido a parte do cérebro responsável pela memória e aprendizagem, sintomas semelhantes ao da depressão, podendo ser moderado ou grave e até levar o paciente ao óbito, já o uso de drogas consegue ser ainda mais intenso de acordo com o tempo de abstinência”, ressalta.
A Síndrome pode se dividir em dois graus, Síndrome de Abstinência Aguda (SAA) e a Síndrome de Abstinência Demorada (SAD). A primeira pode ocorrer na ausência da substância psicoativa entre 3 a 10 dias do último uso, o que provavelmente aconteceu no caso registrado na última semana na região. Já a segunda possui outros sintomas que podem ser visualizados entre a condição de sobriedade do indivíduo, ocorrendo no intervalo de meses ou até anos após a suspensão do uso.
“O diagnóstico da síndrome e o grau de abstinência deve ser notado o quanto antes e assim que observado, os familiares devem buscar tratamento médico, pois o paciente dificilmente enxerga o vício como um problema. A família é parte fundamental para o sucesso do tratamento, pois durante a abstinência, a pessoa muitas vezes quer parar, mas o corpo luta contra o dependente e isso pode desestimulá-lo, porém é uma condição passageira, que vale o esforço”, finaliza.
Como parte integrante do tratamento, a família também acaba passando por todo sofrimento durante o vício de algum familiar, precisando muitas vezes, dedicar um tempo especial para livrar o ente do mundo das drogas.


