Incidente foi um dos maiores da história do país, atingiu municípios da região e ainda comove as lembranças de quem vivenciou a tragédia na década de 1960
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Há 57 anos o Paraná viveu um verdadeiro “Inferno” com as chamas de um dos maiores incêndios da história do Brasil consumindo propriedades, ferindo pessoas, matando animais e deixando um rastro de destruição por onde o fogo passava.
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De acordo com os registros históricos, tudo teve início por volta do dia 14 de agosto de 1963 quando foram registrados os primeiros focos de incêndio em povoados na região de Londrina. Como de costume na época, alguns agricultores realizavam pequenas queimadas para limpar terrenos e cultivar a terra, porém, naquele ano, a situação tomaria proporções devastadoras e o Paraná arderia em chamas.
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Como acontece até os dias de hoje, nos meses de agosto e setembro são registrados os maiores períodos de estiagem no estado e, naquele ano de 1963, o Paraná ainda contava com campos, florestas e pastagens ainda mais secas devido o resultado das baixas temperaturas e geadas registradas durante o inverno. Esta condição alinhada com as queimadas e os ventos fortes fez com que o fogo se espalhasse rapidamente ganhando grandes proporções.
As chamas que se iniciaram na região de Londrina, rapidamente se alastraram e, em poucos dias, o fogo já havia chegado aos municípios de Jaguariaíva, Sengés e Arapoti, nos Campos Gerais. Nos dias seguintes, os ventos fizeram com que as chamas seguissem em direção a região do Norte Pioneiro, uma das mais atingidas pelo fogo na época.
Em toda a área atingida pelo fogo, o incêndio destruiu ao menos oito mil residências, galpões e silos, quase seis mil famílias ficaram desabrigadas, automóveis, caminhões, tratores e equipamentos agrícolas foram destruídos, cerca de 15 milhões de Araucárias foram consumidas pelas chamas que consumiam tudo por onde passavam.
Segundo o pesquisador Antônio Carlos Batista, o fogo causou danos e prejuízos em 128 municípios do estado, grande parte na região Norte, Norte Pioneiro e Campos Gerais destruindo aproximadamente 20 mil hectares de plantações, 500 mil hectares de área de mata nativa e 1,5 milhão de hectares de campos e outras matas.
A tragédia ainda deixou diversas pessoas feridas e ao menos 110 pessoas morreram vítimas das chamas, número que, de acordo com estudos realizados após o incêndio, podem ter chegado a marca das 250 vítimas.
“Lembro que meu avô, hoje já falecido, contava uma história sobre essa época do incêndio. Ele tinha dois amigos que chamava de Zé Bentinho e João. Segundo a história, eles foram surpreendidos pelo fogo em uma serra que fica entre o bairro de Barbosas/Siqueira Campos e Tomazina. Tinha uma terceira pessoa com eles que não lembro o nome, mas conseguiu escapar e contou que os dois acabaram ficando no meio do fogo e morreram dentro de uma lagoa. Parece que não chegaram a se queimar porque entraram nessa lagoa, mas se afogaram com a fumaça”, conta Marcelo Aguiar, morador de Wenceslau Braz.
Os estragos causados nos municípios atingidos foram tão grandes que, no dia 28 de agosto de 1963, o governo do estado decretou Estado de Calamidade Pública no Paraná, visto que a população das regiões atingida foi afetada com prejuízos materiais, perda de empregos, destruição de lavouras e animais que proveriam alimentos, aspectos que culminaram em problemas sociais.
As chamas foram combatidas com apoio de agentes, aviões e helicópteros de outros estados, mas o fogo só cedeu mesmo com a chegada do período de chuvas no estado. Nos anos seguintes, o Paraná investiu em pessoal, treinamento e medidas de prevenções a incêndios na expectativa de não viver dias com “um fogo dos infernos”.
Informações: Gazeta do Povo - G1 Paraná.