Os resultados do veranico de dezembro de 2018 e o mês de janeiro do novo ano já deram o sinal de como será a safra 2019 para os agricultores paranaenses. Com uma estiagem prolongada, os impactos já estão sendo visíveis nos números da produção de soja, cuja “primeira” etapa da colheita já está sendo concluída na região do Norte Pioneiro.
De acordo com o técnico do Deral (Departamento de Economia Rural) Franc Oliveira, nesta região existem aproximadamente 170.000 hectares com plantio de soja atualmente, e o reflexo da estiagem já causou um decréscimo considerável na produção. “Na nossa região, principalmente, as primeiras lavouras de soja semeadas, que já começaram a ser colhidas, estão sentindo os efeitos desta estiagem prolongada. A produtividade média inicial esperada era de 3.300 a 3.700 Kg por hectare, porém até o momento, as primeiras lavouras que estão sendo colhidas estão com rendimento médio em torno de 1.950 Kg por hectare, abaixo do previsto inicialmente”, explica.
Franc menciona a “primeira lavoura”, porque alguns produtores, comumente os que possuem maior área, acabam semeando em diversas etapas, fazendo com que a colheita se estenda por mais tempo, o que pode determinar uma divergência na produtividade, se levado em consideração os períodos de chuva em cada plantio.
“As lavouras que foram semeadas mais cedo, final de setembro e início de outubro, tiveram um encurtamento de ciclo com queda na produtividade e na qualidade dos grãos, em função de um período prolongado sem chuvas. As lavouras semeadas mais tarde (grande maioria), cuja colheita começa nas próximas semanas, estão com um potencial produtivo maior, beneficiadas pelas chuvas”, ressalta o técnico.
Períodos
Com cerca de 2.100 produtores de soja somente na região do Norte Pioneiro, é necessário que seja feito um planejamento do plantio, que geralmente ocorre entre 5 de outubro a 5 de novembro, porém alguns fazem o plantio em setembro, considerado precoce, enquanto outros plantam entre novembro e dezembro, que pode ser considerado um plantio tardio.
O tempo de espera até a colheita depende do ciclo em que foi plantado, variando de 110 a 130 dias após o plantio.
De acordo com Franc, a produtividade de cada ciclo tem variação pelos fatores climáticos que acometeram a safra. “Entre os diversos fatores que podem afetar a produtividade, o clima é um dos que possui grande potencial de limitação. A água da chuva e a temperatura são fatores climáticos diretamente relacionados com a produtividade. A temperatura é outro fator que pode causar impacto na produtividade de qualquer cultura, pois está ligado diretamente ao metabolismo das plantas”, explica.

A chuva, no entanto, ainda é o fator determinante, como explica o técnico. “A água é considerada a principal causa limitante da produtividade, uma vez que sua escassez pode comprometer até 100% do rendimento de uma lavoura. Os principais fatores de manejo que contribuem para a diluição dos riscos relacionados à temperatura são: época de semeadura, cobertura do solo com palha, plantio direto e escolha do cultivo adequada para a região”.
Expectativa
Com uma quebra de 14% estimada pela Deral na safra de soja do Paraná com produção de 16,8 mi/t, 70% das lavouras ainda dependem de chuvas, mas ainda não há previsão do real impacto do clima sobre a produção.
Produtor de soja há 19 anos, o engenheiro agrônomo autônomo Marcelo Bassi, de W. Braz, estima números mais animadores na nova colheita, que ele e a família devem iniciar em alguns dias.
“Esta primeira soja que colhemos vai render em torno 40 sacas por hectare, sendo que normalmente iríamos colher umas 65 sacas por ha. No entanto, as que começam a ser colhidas em fevereiro são melhores e as que colherão em março ainda não estão definidas a produtividade”, projeta.
O técnico Franc também estima que o ciclo médio, colhido em fevereiro, deve ter um rendimento melhor. “Nas lavouras que foram semeadas mais tarde, estima-se em torno de 55 sacas por hectare, com condições climáticas favoráveis”, pontua.
Norte Pioneiro
Apontada como a atividade agrícola de maior representatividade econômica do país, muitos produtores adotaram a soja como a cultura base de suas lavouras.
De acordo com dados do Deral, dos municípios da região, Wenceslau Braz lidera a produção do grão, com expressivas 62 mil toneladas/safra, seguido de Santo Antônio da Platina com 56 mil t/safra e São José da Boa Vista com 53 mil t/safra, aproximadamente.


