Moradores com medo, polícia sem poder de reação e criminosos saindo “vitoriosos”. Assim como em Arapoti, no mês de fevereiro, essa descrição se repete em Santana do Itararé, numa ação criminosa durante o último sábado (19), quando uma quadrilha com cerca de 10 homens fortemente armados explodiu o caixa eletrônico do Sicredi, no centro do município, e levou aproximadamente R$ 30 mil.
Entre os vizinhos do banco, pouca gente quis falar com a reportagem da Folha Extra, e quem quis mostrou bastante medo. “Quando ouvi o baralho, corri pro quarto da minha filha, aí tocou o alarme e foram duas explosões. Depois ouvimos as pessoas passarem aqui na calçada correndo”, relata a aposentada Aparecida de Matos Ferreira, 75 anos, vizinha do banco assaltado.
“Sempre tive medo que esse tipo de coisa acontecesse. A gente vê na televisão, mas no fundo acha que nunca vai acontecer por aqui. Só quem estava por perto sabe o que a gente sentiu. Tive medo de haver um tiroteio e corri pro quarto da minha filha orar pedindo a Deus para que ninguém se machucasse”, completa a aposentada.
A ação aconteceu quando já amanhecia o dia, e não levou mais do que 15 minutos – diferente do que houve em Arapoti, quando os bandidos ficaram por quase uma hora, disparando tiros para “espantar” curiosos e a própria polícia.
Em Santana, a única atitude da quadrilha contra a PM foi a colocação de pregos atrás dos pneus das viaturas, para impedir uma possível perseguição. Um vigia que fazia ronda na hora do crime foi “aconselhado” pelos bandidos a manter distância.
Rastros de sangue foram encontrados na agência roubada e em um dos carros usados na fuga (um Fox, encontrado na PR-092, entre Wenceslau Braz Siqueira Campos) e, como não houve confronto, existe a possibilidade de pelo menos um dos integrantes da quadrilha ter se machucado com as explosões.
“Tudo indica que é a mesma quadrilha. Só faz isso quem é profissional e o modo de agir é o mesmo. Precisa haver uma investigação rigorosa a respeito para que a região não fique a mercê desta quadrilha”, pondera o delegado de Arapoti, Durval Atahyde.
“Enfrentar de surpresa, com pouco efetivo da PM como é nas cidades onde eles agiram é impossível, então precisa haver uma prevenção e um reforço policial”, completa.
Por LUCAS ALEIXO


