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Editorial: Aos mestres, com carinho

Editorial: Aos mestres, com carinho

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Salário, benefício e condições dos professores são justos? Não. Definitivamente não. Os professores são os pilares da educação, fatalmente uma das bases da sociedade. Como não valorizar uma classe assim?

É tão óbvio que chega a ser bobo dizer que professores deveriam ter o salário dos deputados, que por sua vez deveriam receber os vencimentos dos educadores. Tudo muito óbvio e bonito na teoria.

Na prática, porém, é tudo diferente – e em grande parte dos casos, injustiça é feita. E assim é com os professores. Valem mais, precisam de mais e merecem mais. Isso é tudo claro e notório.

Entretanto, embora toda reivindicação e luta sejam válidas, existe um determinado ponto onde os efeitos colaterais acabam afetando aqueles que não são os culpados pela situação – no caso da greve, em específico, os alunos.

Senhores, é claro que é ano eleitoral e tudo isso causa um enorme desconforto no governo, mas deve haver um bom senso. Pedir por vale transporte para quem está de licença, por exemplo, não é bom senso.

Se um profissional está licenciado de sua função, quaisquer que seja, para que ele precisa de auxílio transporte, se este é usado na sua ida até onde desempenha seu trabalho – coisa que no momento da licença não está acontecendo?

Voltando para a questão específica da greve. Pois bem. Parou. Grande parte das reivindicações são mais que justas e deveriam ser prontamente atendidas pelo governo,  mas o Paraná deu grandes melhorias para a classe nos últimos anos. Era hora mesmo de fazer greve ou existe todo um cunho político por traz da paralisação?

Isso sem citar o prejuízo ao cronograma escolar. Os alunos são os principais prejudicados com este tipo de mobilização. Um grande exemplo de inteligência na reivindicação é o que certa vez funcionários do Metrô fizeram: trem rodando normalmente, apenas com as catracas abertas, causando um grande déficit aos cofres de quem era para ser “atacado”, e nenhum dano aos usuários, que sempre pagam o pato quando servidores públicos cruzam os braços.

Transportando isso para a classe dos educadores, é difícil pensar em algo que não acabe por atingir os já sofridos alunos da rede pública – que além de conviver com um ensino inferior ao oferecido na rede particular, ainda convivem com este tipo de problema. Porém, é necessário se pensar em formar efetivas de paralisar sem prejudicar quem não tem culpa, e isso já devia ter acontecido há muito tempo.

Agora, é hora de se pensar e repensar. Governo e professores, entendam que quem mais precisa de um acordo rápido entre vocês são justamente boa parte de uma camada sem poder de reação e que precisa do um ensino público de qualidade para que, um dia quem sabe, possam deixar de fazer parte daquele setor que carece tanto do poder público – exatamente o que mais sofre.  Assim, o bom senso pede urgência, assim como a Educação, não só no Paraná, mas em todo o Brasil. 

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