O Conselho de Ética da Câmara se reuniu nesta quarta-feira (9) para ouvir as testemunhas de defesa do deputado André Vargas (sem partido-PR) que responde a um processo por quebra de decoro parlamentar no colegiado devido ao seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, acusado de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. No entanto, nenhum dos convidados a depor compareceu.
De acordo com o advogado de defesa do deputado, Michel Saliba, o prefeito de Apucarana, no Paraná, Carlos Alberto Gebrim Preto, conhecido como Beto Preto, deveria depor mas informou, em cima da hora, que não iria mais à Câmara.
Outras seis testemunhas indicadas por Vargas ainda poderão ser ouvidas na próxima reunião do conselho, marcada para terça-feira (15). Será o terceiro convite feito a elas. Alguns dos arrolados no processo indicaram que podem depor nos próximos dias ou em agosto.
Para o relator do processo, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), as ausências mostram que há uma clara intenção em protelar e adiar o andamento do caso no Conselho de Ética. "Se vê claramente que não há nenhuma intenção de comparecer aqui. Um fala que só pode vir depois da Copa, outro fala que só pode vir com 10 dias de prazo para convite. Há uma clara intenção de protelar e de adiar. E volto a dizer que das poucas testemunhas que vieram até agora, colaboraram e muito com a instrução do nosso processo", disse.
Delgado criticou ainda a falta de poder do Conselho de Ética para convocar testemunhas, só podendo convidá-las. "Isso mostra uma perda de força nossa de não podermos convocar e apenas convidar as testemunhas e isso nos traz todo esse trabalho que vocês acompanham de convidar e não comparecer ninguém. É um desgaste para todo mundo", disse.
A defesa informou que deverá rever até esta quinta-feira (10) os nomes indicados para testemunhar a favor de Vargas.
De acordo com Saliba, pelo menos duas testemunhas deverão ser trocadas e haverá um novo pedido para ouvir o doleiro Alberto Youssef, pivô de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Preso no Paraná, o doleiro seria ouvido em 1º de julho por meio de uma videoconferência. No entanto, seus advogados informaram que ele não iria responder a nenhum questionamento. Se a Câmara não entrar em recesso a partir do dia 17 de julho, Delgado afirma que o prazo para ouvir as testemunhas se encerra em 29 de julho. Ele teria então, mais dez dias para ouvir André Vargas e concluir seu relatório.
Segundo explicou Delgado, apenas a defesa pode dispensar as testemunhas agora. No entanto, ele afirma que se o prazo de conclusão do processo se esgotar, ele irá concluir o seu relatório sem ouvi-las. Saliba reclamou do tempo regimental concedido para a conclusão do processo de apenas 40 dias.
"Esse prazo de 40 dias úteis é para inglês ver. Isso é um verdadeiro absurdo. Se querem um processo sério é preciso garantir o direito de defesa", disse. Ele citou como exemplo o caso do deputado licenciado Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO).
Em 2013, o Conselho de Ética levou sete meses para concluir a votação do processo por quebra de decoro parlamentar devido ao seu envolvimento com o empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar um esquema de corrupção. Em abril deste ano, o plenário da Câmara aprovou o parecer do colegiado e ele teve seu mandato suspenso por 90 dias.
A reunião foi presidida pelo deputado Izalci (PSDB-DF) e compareceram o relator do caso, deputado Júlio Delgado, a deputada Rosane Ferreira (PV-PR) e Félix Mendonça (PDT-BA).
DAS AGÊNCIAS
Brasília

