Antes tarde do que nunca. A industrialização penou, teimou, até evitou, pode-se dizer, mas parece finalmente estar chegando ao Norte Pioneiro. Ao menos, parece.
Atualmente a região conta com uma grande indústria (que fabrica motocicletas e toda a linha de motopeças) em Siqueira Campos, além de outras de médio porte em Joaquim Távora, Santo Antônio da Platina e Ribeirão Claro.
Muito pouco para quem quer deixar de ser o “Ramal da Fome”. E verdade seja dita, estas empresas já são fundamentais para a região, em especial para os municípios onde estão instaladas, porém muitas vezes se limitam a empregar, esquecendo os âmbitos sociais e esportivos, por exemplo.
Em todo caso, são elas que “agüentam as pontas” por aqui. Agora, porém, a região parece estar prestes a dar um passo único e demasiadamente importante: a chegada de empresários chineses.
O município de Ibaiti, que sofre com as taxas de desemprego após o colapso ou crise de algumas de suas principais empresas geradores de empregos, pode reverter esta situação com um “golpe de mestre”, e ainda abrir um novo caminho para toda a região.
Como? Atraindo empresas chinesas para seu território. Nada menos que 11 delas já têm acordo com a prefeitura do município, e em breve terão suas estruturas em pleno funcionamento gerando empregos para Ibaiti e região, assim como renda e desenvolvimento.
Claro que toda novidade deste porte é repleta de temores e desconfianças, mas se tudo se concretizar conforme o roteiro – o que tem tudo para acontecer – a relação entre o Norte Pioneiro e empresários chineses pode se aperfeiçoar e garantir à região milhares de postos de empregos.
As prefeituras de todo o Norte Pioneiro oferecem inúmeras vantagens para que empresas se instalem em seus municípios. De outro lado os asiáticos vêem no Brasil uma grande oportunidade de negócios. Por que não “casar” os interesses?
Óbvio que meio mundo quer os empresários chineses, mas se Ibaiti, com uma política inteligente e ousada de atração de novas empresas conseguiu, o que impede que outros municípios da região usem a mesma fórmula e também consigam?
O Estado faz sua parte, dando programas como o Paraná Competitivo, por exemplo, visto como fundamental para que as empresas que devem se instalar em Ibaiti concretizassem a vinda para o Norte Pioneiro.
Agora as prefeituras precisam também fazer a sua parte. Esforços conjuntos, políticas comuns e tato nas negociações deveriam se tornar pautas inclusive para a Amunorpi (Associação dos Municípios do Norte Pioneiro), que tem uma atuação destacada em diversos campos, mas na questão da atração de empresas ainda segue na mentalidade do “cada um por si e Deus por todos”.
Se cada prefeito parar de querer para si, e pensar nos benefícios regionais, se a região lutar junta, sem dúvida os ganhos podem ser multiplicados.
Além do mais, os candidatos a deputado da região já estão com a bandeira da industrialização e podem ser outro forte aliado nesta briga. Caso eleitos, lutarão em Curitiba e Brasília pelo boom da industrialização regional. Caso não eleitos, que ajudem a implantar esta mentalidade em seus grupos políticos, o que já seria o suficiente para plantar a semente.
A vocação é a agricultura? Sim. Mas sem industrialização a região não deverá ter grandes progressos, e este processo que tanto penou, precisa acontecer o quanto antes.


