Dados da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) apontam que o Paraná é o segundo estado em números absolutos de estudantes matriculados nas universidades estaduais com aproximadamente 90 mil alunos, ficando atrás de São Paulo que tem 160 mil acadêmicos em suas universidades. Porém, levando em conta a proporcionalidade de estudantes em relação ao número de habitantes, o Paraná fica em primeiro lugar com uma vaga a cada 122 residentes enquanto São Paulo dispõe de uma vaga em universidades estaduais a cada 250 habitantes.
Em entrevista exclusiva, o chefe da SETI, João Carlos Gomes, que é de Santo Antônio da Platina, explica que há grande expectativa de que a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), por ser uma das instituições de ensino superior mais jovens do Estado, seja uma das impulsionadoras do desenvolvimento socioeconômico da região.
“Eu não tenho dúvida que vai acontecer com a UENP o mesmo que aconteceu nos Campos Gerais com a UEPG, na região norte com a UEL, no noroeste com a UEM, que é ter um papel muito grande no desenvolvimento dessas regiões”, aponta Gomes.
Isso se dá, segundo ele, pela questão da universidade proporcionar formação e qualificação de profissionais, geração de projetos e tecnologias voltadas à região, entre diversos outros aspectos. Outro ponto levantado pelo secretário é o fato de empresas e indústrias, ao procurar um local para se instalarem, priorizam aqueles onde há formação de recursos humanos.
CAMPUS EM IBAITI
João Carlos Gomes também não se furtou a comentar sobre a implantação do curso de Odontologia, que terá início já no primeiro semestre de 2015, em Jacarezinho e sobre a possível abertura de um campus da UENP em Ibaiti. “O curso de Odontologia é um importante passo para o UENP, mas pretendemos implantar novos cursos e novos campi em outras cidades da região”, afirma.
Ele ainda comenta que o prefeito de Ibaiti, Roberto Regazzo (PSB), o Betão, solicitou à SETI um estudo para avaliar a instalação de um campus da UENP na cidade. De acordo com Gomes, este levantamento começa a ser feito em breve levando em conta quais cursos atenderiam melhor às necessidades dessa microrregião.
INVESTIMENTO
Sendo o Estado com maior número de vagas em universidades estaduais em relação ao número de habitantes, o chefe da SETI garante que Paraná é o que mais investe, proporcionalmente, em ensino superior no Brasil. São sete universidades estaduais com campi em quase todas as regiões do Estado. “Isso é um diferencial do Estado do Paraná, é uma capilaridade do ensino superior no interior. Nós que somos do Norte Pioneiro podemos estudar em uma universidade pública gratuita e no interior”, expõe Gomes. Segundo ele, só em 2014 o orçamento das universidades é de aproximadamente R$ 2,4 bilhões.
FALTAM FEDERAIS
Apesar dos números positivos em relação a universidades estaduais, o Paraná ainda sofre carência de instituições de ensino superior federais. Minas Gerais, que é o estado com mais universidades federais, tem 11; o Rio Grande do Sul tem sete; a Bahia, cinco; e o Paraná, ao lado do Pará e Rio de Janeiro, conta com quatro universidades federais cada.
Gomes afirma não saber “o que seria do Paraná se não tivesse as universidades estaduais, pois nas últimas quatro décadas foi o Estado que propiciou a formação de tantas pessoas, principalmente jovens, no interior do Paraná”.
Guilherme Capello


