“Não vão destruir o lugar, mas vão acabar com água do Salto Cavalcanti, que é praticamente a mesma coisa, por que do que vale uma cachoeira sem água?”
Laércio Ribeiro Renó é o idealizador de um manifesto contrário à construção de uma hidrelétrica próxima ao ponto turístico, o que, de acordo com ele, praticamente acabaria com a vazão do rio naquele ponto
[caption id="attachment_1833" align="alignleft" width="487"] A Paraná Turismo, órgão veiculado ao governo do Estado, prepara ações para fortalecer o turismo no Norte Pioneiro[/caption]
“Não vão destruir o lugar, mas vão acabar com água do Salto Cavalcanti, que é praticamente a mesma coisa, por que do que vale uma cachoeira sem água?”, acusa o engenheiro agrônomo e biólogo Laércio Ribeiro Renó, referindo-se à possibilidade da construção de uma hidrelétrica de pequeno porte no rio das Cinzas, poucos metros rio acima do Salto Cavalcanti, no município de Tomazina.
Laércio ainda faz uma série de críticas contra o projeto e afirma categoricamente que o município de Tomazina não irá ganhar nada com a construção da hidrelétrica. “A geração de energia lá será mínima, ridícula. Empregos só durante a construção, depois é um ou outro funcionário apertando botões e mais nada. Royalties também não terão para a prefeitura de Tomazina. E o pior de tudo: vamos perder o maior ponto turístico da região e a grande marca de Tomazina, que é o Salto Cavalcanti”.
A geração de energia lá será mínima, ridícula. Empregos só durante a construção, depois é um ou outro funcionário apertando botões e mais nada. Royalties também não terão para a prefeitura de Tomazina. E o pior de tudo: vamos perder o maior ponto turístico da região e a grande marca de Tomazina, que é o Salto Cavalcanti”
O agrônomo também considera irreal a suposta manutenção ambiental que o lugar terá, lamentando também mais uma vez o possível fim do Salto Cavalcanti. “Sempre que há a construção de uma hidrelétrica, independente do tamanho, existe um impacto ambiental grande e muitas reclamações dos moradores vizinhos. Aqui, além disso, vamos deixar de ter uma cachoeira linda para passar a ter um largo artificial, só que lago artificial existem milhares, mas o Salto Cavalcanti só tem um. É uma troca desigual, onde nós, moradores de Tomazina e da região, sairemos perdendo e muito”.
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Outro ponto questionado por Laércio é com relação à necessidade real da produção de energia em Tomazina. “Veja bem, o Paraná é o terceiro estado brasileiro que mais produz energia elétrica. Para que nós precisamos de uma usina de pequeno porte aqui? Eu só vejo vantagem para o empresário que vai ganhar com isso, e para mais ninguém”.
Por fim o agrônomo ainda faz críticas à prefeitura de Tomazina pelo abandono ao ponto turístico. “A prefeitura se mostrou favorável, e como o lugar está abandonado, então o pessoal de fora deve ter pensado que tinha uma cachoeira largada aqui, que ninguém ligava mesmo, e que poderiam explorar sem maiores problemas. O nome do projeto é Foz da Anta, mas eu cheguei a conclusão que anta somos nós de deixar um absurdo deste acontecer”, ironiza.
PROJETO
Em entrevista à Folha Extra no ano passado, o empresário Gustavo Ribas, responsável pelo projeto, disse o oposto das acusações feitas por Laércio, afirmando que nem a cachoeira e nem a vazão do rio seriam afetadas naquele ponto, mantendo o local intacto, com o adicional de que o ponto turístico receberia melhorias na questão da infraestrutura.
O projeto original prevê a construção de uma pequena central hidrelétrica (PHC), que caso seja de fato construída terá a capacidade para a produção de apenas 12 megawatts de energia, suficiente para manter uma cidade de pouco mais de 30 mil habitantes.
IAP
Em contato com o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), a reportagem da Folha Extra teve a garantia de que o órgão preza por projetos sustentáveis e pela preservação do meio ambiente do Paraná, e que não pretende permitir que o Salto Cavalcanti seja destruído.
Na questão burocrática, até o momento nenhuma licença foi autorizada pelo IAP para o início da construção da hidrelétrica.
LUCAS ALEIXO
Tomazina


