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OAB pode intervir em projeto de hidrelétrica no rio das Cinzas

OAB pode intervir em projeto de hidrelétrica no rio das Cinzas

[caption id="attachment_2566" align="aligncenter" width="600"]norte-pioneiro-OAB-pode-intervir-em-projeto-de-hidrelétrica-no-rio-das-Cinzas Ministério Público de Tomazina também acompanha o caso; segundo ambientalistas, construção de hidrelétrica naquele ponto do rio pode acabar com a vazão de água do Salto Cavalcanti, praticamente “destruindo” assim um dos maiores pontos turísticos do Norte Pioneiro[/caption]

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A luta para não deixar se concretizar o projeto que prevê a construção de uma hidrelétrica no rio das Cinzas, em Tomazina, pouco acima do Salto Cavalcanti, pode ganhar um reforço tão grande quanto o próprio ponto turístico: a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). E em esfera nacional, e não apenas local ou regional.

“Este projeto é um absurdo, e a região tem que se unir para não deixar que ele vá para frente. Já encaminhamos a questão para o Ministério Público e estamos montando mais um documento para enviar para o departamento de Meio Ambiente da OAB, e pedir a intervenção deles também”

Quem pretende incluir a ordem nesta luta é o advogado Laércio Ademir dos Santos, um dos principais nomes na luta contra a construção da hidrelétrica, o que, de acordo com ambientalistas, poderia praticamente acabar com a vazão do rio no ponto onde está localizado o Salto Cavalcanti, e consequentemente fazer com que um dos maiores pontos turísticos do Norte Pioneiro (senão o maior) deixe de ser uma imponente cachoeira – e o segundo maior salto do Paraná – para se tornar apenas um paredão de pedras.

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“Este projeto é um absurdo, e a região tem que se unir para não deixar que ele vá para frente. Já encaminhamos a questão para o Ministério Público e estamos montando mais um documento para enviar para o departamento de Meio Ambiente da OAB, e pedir a intervenção deles também”, coloca o advogado.

“A ordem tem este departamento, focado mesmo nestas questões, e acho muito provável que eles também entrem nesta causa, porque é uma questão muito séria, que mexe com a natureza de uma forma agressiva e que pode causar um dano irreversível para o meio ambiente e para a região toda”, continua Laércio.

O advogado ainda adianta que, se for preciso, também entrará com ação na justiça comum para evitar a construção da hidrelétrica. “Vamos tentar de tudo para impedir a destruição do Salto Cavalcanti, inclusive vamos para a justiça, se preciso for, sem dúvida nenhuma”.

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MP

O Ministério Público de Tomazina, como já foi dito, está a par de toda a situação e segue acompanhando o caso. “Estamos atentos a tudo isso. Pedimos maiores informações técnicas para o IAP, e a palavra final é deles. Porém se houver uma licença concedida de forma equivocada nós teremos de agir, mas por isso é preciso ter conhecimento técnico sobre a causa”, esclarece o promotor de justiça de Tomazina, Anderson Osório Resende.

 

IAP

O IAP (Instituto Ambiental do Paraná), por sua vez, diz estar estudando o caso, e analisando as questões ambientais e regionais antes de emitir qualquer licença. A empresa responsável pela obra, que tem sede em Curitiba, ainda não tem nenhum alvará ambiental para dar início às obras.

Além disso, em contato recente com a Folha Extra, o órgão ambiental afirmou que de antemão a idéia é preservar o Salto Cavalcanti como ele é hoje, e não permitir que haja degradação no ponto turístico.

 

ENTENDA O CASO

Existe um projeto em andamento para a construção de uma pequena central hidrelétrica no rio das Cinzas, poucos metros rio acima do Salto Cavalcanti.

Ambientalistas, biólogos e pessoas em geral ligadas a área do meio ambiente do Norte Pioneiro têm, desde a divulgação do projeto, acusado incessantemente o projeto de “esvaziar” o Salto Cavalcanti, já que a barragem seria construída antes da cachoeira, fazendo, de acordo com estas explicações, com que a vazão do rio neste ponto fosse mínima, secando assim o maior ponto turístico da região e o maior símbolo de Tomazina.

Um dos nomes que está com ênfase nesta luta é do engenheiro agrônomo e biólogo Laércio Ribeiro Renó, que faz uma série de acusações e críticas, dizendo que o projeto não viável econômica e ambientalmente falando.

Segundo ele, em entrevista recente à Folha Extra, a capacidade de produção da energia seria pequena (o suficiente apenas para uma cidade de pouco mais de 30 mil habitantes) em um estado onde sobra energia elétrica; não haveriam royalties para a prefeitura de Tomazina e a geração de emprego e renda seriam mínimas; em contrapartida acabando com o maior ponto turístico da região em troca da construção de um lago artificial e melhorias ao redor do local.

“O nome do projeto é Foz da Anta, mas eu cheguei a conclusão que anta somos nós de deixar um absurdo deste acontecer”, ironiza Laércio.

OUTRO LADO

Em entrevista à Folha Extra no ano passado, o empresário Gustavo Ribas, responsável pelo projeto, garantiu que não haveria mudanças drásticas na vazão do rio, conseqüentemente mantendo o Salto Cavalcanti intocado.  

LUCAS ALEIXO

Tomazina

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