A doença pode até não ter chego por aqui, mas a preocupação com o zika vírus sem dúvida já está presente. Na noite de quarta-feira (10) o governo do Paraná divulgou relatório apontando que 25 casos do zika vírus foram confirmados no Estado.
Dos 25 casos, onze são importados e três autóctones, contraídos no próprio município. Dois casos são de Colorado, região noroeste do Paraná, e um de Londrina, no norte do Estado. Os outros 11 casos estão em investigação para determinar a origem da doença, se importada ou autóctone.
Como Londrina é um município próximo, geograficamente falando, e tem a freqüência de muitos moradores da região, além das viagens de carnaval, há o temor de que a doença possa chegar por aqui.
A situação preocupa as autoridades. Em entrevista recente à Folha Extra, o chefe da Vigilância Sanitária da 19ª Regional de Saúde, em Jacarezinho, Ronaldo Trevisan, disse que embora o controle do aedes aegypti tenha melhorado significativamente nos últimos anos, a situação ainda inspira cuidados.
“Não podemos descuidar de forma alguma. Agora além da dengue, o aedes também transmite zika e chikungunya, que são situações novas que demandam um grande cuidado e prevenção ainda maior. Hoje temos uma preocupação muito grande com a possibilidade dessas doenças chegarem até nós”, aponta.
O aumento das confirmações nos casos de zika é resultado dos novos testes utilizados desde o início de fevereiro pelo Laboratório Central do Estado (Lacen-Pr).
“O exame que faz o diagnóstico simultâneo dos três vírus – dengue, zika e chikungunya – é pioneiro no Brasil. Essa nova tecnologia agilizou o tempo para confirmação dos resultados e ampliou a capacidade de análise do Lacen de 60 para 1400 testes semanais”, salienta o secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto. Até esta quarta-feira, foram realizados 980 testes de dengue, zika e chikungunya com a tecnologia Multiplex.
“A partir da confirmação dos novos casos de zika no Paraná, o Estado amplia a investigação para determinar se há registros de infecção em gestantes, qual a procedência dessas pessoas e se há necessidade de monitoramento pelas equipes de saúde”, explica a superintendente de Vigilância em Saúde, Cleide Oliveira.
VACINA
Uma vacina contra o vírus da zika deve ficar pronta para testes em humanos em aproximadamente um ano. Pelo menos essa é a expectativa dos pesquisadores do Instituto Evandro Chagas que trabalharão em conjunto pelos próximos dois anos com cientistas da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. A iniciativa faz parte de diversas parcerias estabelecidas entre o Ministério da Saúde e autoridades de saúde dos EUA, anunciadas nesta quinta-feira (11) durante entrevista à imprensa realizada na sede do Ministério da Saúde, em Brasília.
O prazo não significa que a vacina estará disponível na rede de saúde em um ano. Além de testes, será preciso o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a vacina chegar à população.
CHIKUNGUNYA
Os mesmos exames também possibilitaram a ampliação no número de confirmações de chikungunya no Estado. Agora são 11 casos neste período epidemiológico. Apenas um deles é autóctone, contraído no município de Mandaguari, na regional de Maringá.
DENGUE
O número de casos de dengue confirmados no Paraná subiu para 4.806, sendo 586 importados de outras localidades. Em 182 municípios já foram confirmados casos da doença. O número de cidades em epidemia também aumentou, passando de 11 para 14.
As cidades de Santa Terezinha de Itaipu, Tapira e Rolândia estão em situação epidêmica, assim como Rancho Alegre, Munhoz de Mello, Assaí, Paranaguá, Santo Antônio do Paraíso, Cambará, Santa Isabel do Ivaí, Itambaracá, Nova Aliança do Ivaí, Mamborê e Guaraci.
DA REDAÇÃO


