Desde a infância, a maioria dos brasileiros já sabem o que significa o termo popular “fazer uma vaquinha”. Isto é algo que acontece muitas vezes nas escolas para comprar um lanche ou refrigerante e, também, em outras ocasiões como fazer um churrasco com a “galera”, por exemplo.
Mas como nem tudo é festa, com o acesso as redes sociais e internet, também surgiram e se propagaram as vaquinhas de cunho social, como arrecadar dinheiro para alguém que tem uma doença rara, precisa fazer uma cirurgia ou em prol de alguma ONG (Organização não Governamental) que defenda o meio ambiente, animais ou direitos humanos.
Até aí tudo normal, um cenário conhecido no país inteiro que, além do ambiente virtual, tem ainda programas televisivos tradicionais, como o Teleton e Criança Esperança, que seguem o contexto de “Vaquinha”. A novidade surge com os recentes anúncios das “Vaquinhas online” para financiar a campanha de partidos políticos.
A ideia surgiu após mudanças na lei eleitoral que limitaram a quantidade de dinheiro direcionado aos partidos que movimentavam bilhões em campanhas. Com isso, além do chamado “Fundo partidário”, ou seja, dinheiro público destinado ao financiamento das campanhas, as doações por meio de empresas privadas ficou proibida e aquelas realizadas por pessoas físicas ou até mesmo pelos próprios candidatos se restringem a 10% de sua renda bruta.
Mas como no cenário político uma dos termos mais ouvidos é “dinheiro”, este acabou se tornando um “problema”, principalmente para partidos de menor expressão e candidatos considerados “caras novas”.
Assim surgiu a ideia desenvolvida por startup’s de criar sistemas para arrecadação e apoio financeiro aos políticos através de doações pessoais por meio de “Vaquinhas online”. Mas e aí? Será que para essa finalidade a população concorda em colaborar com o seu candidato? A Folha Extra buscou a resposta.
Já no clima online da proposta, foi lançada uma enquete virtual que foi respondida por moradores da região do Norte Pioneiro: “Você doaria dinheiro a ‘Vaquinhas online” para apoiar campanhas políticas”. O resultado acaba refletindo a descrença da população com o atual momento da política brasileira. 98% das pessoas que participaram da enquete optaram pela opção “Não”.
Para o deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PSB), candidato à reeleição, a ferramenta é algo que foge do tradicional, mas pode ser uma inovação. “Acredito que essa ferramenta será uma experiência interessante, apesar do brasileiro não ter tradição de doar valores para o candidato que ele apoia. Se essa ferramenta conseguir possibilitar isso (a arrecadação), será uma grande inovação”, comentou.

O parlamentar ainda ressalta que para as figuras mais “populares”, a ideia pode ser ainda mais benéfica. “Para candidatos a presidente da república e governador, pode ser que hajam doações, mas acho menos provável que ocorram situações como essa nas candidaturas proporcionais como deputado estadual e federal, a menos que sejam articuladas, mas, espontaneamente, ninguém doa, pois a cultura do nosso povo é assim. Isso acaba gerando um grande problema nas questões ligadas à financiamento de campanha eleitoral” finaliza.


