A noite desta sexta-feira (1º) entrou para a história do Litoral do Paraná com um espetáculo que combinou tecnologia, música e forte apelo emocional para celebrar a entrega da Ponte de Guaratuba. Milhares de pessoas ocuparam as faixas de areia de Caieiras e da Prainha, em Guaratuba, para acompanhar a apresentação que iluminou o céu e simbolizou décadas de espera pela concretização de um projeto estratégico para a região.
Desde os primeiros minutos, a ponte, totalmente iluminada, assumiu protagonismo na paisagem, destacando sua imponência sobre a Baía de Guaratuba. A sincronia entre luzes e trilha sonora criou uma narrativa visual envolvente, conduzindo o público por uma experiência sensorial crescente.
No alto, centenas de drones coreografados formaram palavras que remetiam aos valores associados à obra, como “coragem”, “vontade”, “trabalho” e “história”. Em seguida, desenharam a bandeira do Paraná, um dos momentos mais celebrados pelos espectadores. O clímax veio com uma contagem regressiva luminosa, culminando na mensagem final: “Paraná venceu”, recebida com aplausos e emoção coletiva.

Durante o evento, o governador Ratinho Junior destacou o impacto da obra para o desenvolvimento regional. “Essa ponte representa mais do que mobilidade. Ela simboliza a capacidade do Paraná de tirar grandes projetos do papel, integrar regiões e melhorar a vida das pessoas. É um marco para o nosso Litoral e para todo o estado”, afirmou.
A reação do público foi imediata e intensa. Espalhados pelas praias, embarcações na baía e até sobre a própria estrutura da ponte, os espectadores responderam com entusiasmo a cada nova formação no céu, transformando o evento em uma grande celebração popular.
Entre os presentes, relatos reforçaram o peso simbólico da obra. Frequentador antigo do Litoral, o curitibano Noel Garcia Junior destacou o caráter histórico da entrega. Segundo ele, a ponte representa a concretização de um sonho antigo e a conexão definitiva entre regiões que sempre compartilharam vínculos culturais e econômicos.
O evento também reuniu famílias inteiras. Crianças acompanharam com atenção o espetáculo, como Leonardo Gouveia, de 9 anos, morador da cidade, que ressaltou a mudança prática trazida pela obra, substituindo a tradicional travessia por ferry boat por um acesso direto e contínuo.

Para moradores e visitantes mais antigos, o momento foi carregado de memória. O empresário Zoeldier Banier recordou as longas esperas pelo transporte aquaviário nas décadas passadas e avaliou que a ponte tem potencial para transformar profundamente a dinâmica do Litoral paranaense.
Além do impacto simbólico, o evento movimentou a economia local. Comerciantes e ambulantes aproveitaram o grande fluxo de pessoas, que chegaram com antecedência para garantir lugar. A jovem Brenda Fernandes Moreira, por exemplo, estreou nas vendas durante o evento, apostando no aumento do consumo impulsionado pela ocasião.
Empresários da região também observam mudanças estruturais. Fernando Luiz Aguiar, comerciante há mais de 30 anos, afirmou que a movimentação econômica já vinha crescendo durante a execução da obra e deve se consolidar com a nova realidade logística da região, reduzindo a dependência exclusiva da alta temporada.
Para quem vivencia diariamente os desafios de deslocamento, a inauguração representa um avanço significativo. O servidor público Sidney de Oliveira destacou as longas filas enfrentadas no passado e celebrou a entrega da obra como um marco de mobilidade e qualidade de vida.
Visitantes de outras regiões também marcaram presença. Vanessa Alves, vinda de Nova Cantu, acompanhou a inauguração junto à família e ressaltou a grandiosidade da estrutura, além da organização do evento, que atraiu pessoas de diferentes partes do estado.

Após o espetáculo, o público foi convidado a participar da chamada “tomada da ponte”, momento simbólico que permitiu a travessia a pé. A liberação oficial para veículos foi programada para o sábado (2), às 11h30, com interrupção temporária no domingo para a realização da Maratona Internacional.
A entrega da Ponte de Guaratuba não apenas resolve um gargalo histórico de mobilidade, mas também redefine o potencial econômico e turístico do Litoral paranaense, marcando uma nova fase de integração regional.




