DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
Ariovaldo Ribeiro Cardoso, uma das vozes mais atuantes da proteção animal no Paraná, participou de entrevista com a Folha nesta quinta-feira (09) e reforçou o papel do Conselho Municipal de Bem-Estar e Proteção Animal (COMBEPAN) como peça-chave na construção de políticas públicas para a causa em Wenceslau Braz e em cidades do Norte Pioneiro.
Ari, como é conhecido, abriu a conversa explicando que o COMBEPAN surgiu como um instrumento essencial para aproximar poder público, sociedade e protetores independentes, reduzindo conflitos internos e garantindo mais eficiência nas decisões ligadas ao bem-estar animal. Segundo ele, o conselho funciona como a base de toda a política pública voltada à causa.
“O conselho é o pilar do bem-estar animal em qualquer cidade. Quando surge um problema, é ele quem busca a solução. Se há um projeto ou alguma ação a ser desenvolvida, o conselho corre atrás, organiza cada etapa e trabalha para que a população seja bem atendida e o resultado seja positivo para todos”, afirmou.
De acordo com o defensor, que auxilia protetores com a criação do conselho, o órgão tem caráter consultivo, deliberativo e fiscalizador, permitindo não apenas a discussão de projetos, mas também a cobrança direta do município quando há falhas ou ausência de ações efetivas. Ariovaldo destacou que a criação do conselho é o primeiro passo para que as políticas públicas deixem de ser pontuais e passem a ter continuidade.
Wenceslau Braz e Santo Antônio da Platina estão entre as cidades da região onde o conselho já foi implantado e agora avançam na construção de políticas públicas permanentes voltadas à causa animal.
Ao longo da entrevista, ele também fez críticas ao modelo de castrações em massa promovido em algumas cidades sem planejamento técnico adequado. Como exemplo, ele citou o Castra + Paraná, que atendeu Wenceslau Braz e outras cidades da região no final de março e gerou grande insatisfação entre a população. Para ele, ações isoladas não resolvem o problema da superpopulação animal e podem até gerar novos transtornos, principalmente no pós-operatório dos animais.
“Eu não sou contra a castração. Sou contra a castração sem conscientização e sem planejamento”, ressaltou.
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Na avaliação de Ariovaldo, o ideal é que os municípios adotem uma política de castração contínua, baseada em levantamento estatístico da população animal, com prioridade para animais em situação de rua e famílias em vulnerabilidade social.
Ao final, Ari revelou que Wenceslau Braz e Santo Antônio da Platina devem se tornar cidades-piloto de novos projetos na área, entre eles a implantação de uma clínica de passagem temporária para animais resgatados, com atendimento veterinário, medicação, chipagem e preparação para adoção. Segundo ele, a proposta já está pronta e deve avançar após alinhamento com os municípios e busca por recursos.

