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Histórias comoventes: moradores de Rio Bonito do Iguaçu iniciam a reconstrução de suas vidas

Mais de mil pessoas estão desalojadas, acolhidas em casas de familiares e amigos; histórias dos moradores mostram a pior tragédia da cidade

DA REDAÇÃO/AEN - FOLHA EXTRA

O cenário é similar ao de uma guerra, mas ainda assim a esperança é o que tem movido milhares de famílias de Rio Bonito do Iguaçu, cidade de 14 mil habitantes do Centro-Sul paranaense atingida por um tornado na última sexta-feira (07). Em meio aos escombros, moradores começaram a limpeza e as primeiras ações de reconstrução, amparados pela solidariedade de vizinhos e por ações do Governo do Estado, como a liberação de R$ 50 milhões. Mais de mil pessoas estão desalojadas, acolhidas em casas de familiares e amigos.

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Entre essas famílias está a de Romualdo Vovani, de 45 anos. Ele mora em Laranjeiras do Sul e veio para a cidade poucos minutos após a chuva. Lá ele encontrou pai e mãe, que tiveram a casa e o comércio destruídos. “Era o ganha-pão deles há mais de 30 anos. Cheguei minutos depois, quando vi as primeiras notícias. O pai estava com alguns cortes, mas bem, assim como minha mãe”, recordou, sobre o cenário que encontrou no início da noite de sexta.

“A sensação que a gente vive nesse momento é indescritível, porque você não sabe o que vai encontrar. Eu pensava ‘será que vou encontrar meus pais com vida?’, e graças a Deus foi só perda material”

“A sensação que a gente vive nesse momento é indescritível, porque você não sabe o que vai encontrar. Eu pensava ‘será que vou encontrar meus pais com vida?’, e graças a Deus foi só perda material”, contou. Os serviços agora estão concentrados na limpeza da cidade. “Tem muito lixo. Os móveis estão todos estragados, então tudo o que não tem mais serventia a gente joga fora. A prefeitura está fazendo um trabalho ágil e tem muita gente ajudando”.

“Primeiro, é remover o entulho. Depois, vamos pensar em como recomeçar, cobrir a casa deles, que é a prioridade, e seguir aos poucos. A gente sente que o poder público está bastante preocupado. Ninguém estava preparado para algo assim, ninguém tem dinheiro guardado para esse tipo de situação. E o que a gente mais tem visto é a solidariedade. Além da ajuda prática, aquece o coração saber que as pessoas estão preocupadas e solidárias nesse momento tão difícil”, acrescentou.

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Ele era adolescente quando um tornado passou por Nova Laranjeiras, em 1997. “Lembro que foi terrível, com alguma semelhança ao que aconteceu aqui. Mas me parece que agora a proporção é maior, muito mais dolorosa. Nunca tinha visto algo tão forte”, ressaltou. Mas a esperança permanece. “Sou otimista. Acho que Nova Laranjeiras, depois daquele momento, se renovou. Não é fácil, mas acredito que Rio Bonito vai ter uma nova cara daqui para frente. Tem que ser otimista, não dá para desanimar”.

O cenário de pânico também foi vivido pela esposa de José Godoy, 41 anos, grávida de quatro meses e que estava sozinha em casa quando a chuva e o vento vieram com força total. “Antes do temporal, recebemos um alerta da Defesa Civil em Quedas do Iguaçu. Logo vim para cá com a família e, quando chegamos, o desastre já tinha acontecido”, contou. “Ela estava apavorada, passando mal. Disse que escutou um estrondo, tentou se proteger como pôde, se abaixou debaixo da mesa enquanto caíam pedaços do telhado.”

José Godoy chegou a trabalhar no Haiti. Foto: Roberto Dziura Jr./AEN

 

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Depois do susto, a esposa foi para casa dos pais em Foz do Iguaçu, no Oeste do Estado. Para José, o mais importante é a vida da esposa e do filho do casal. “Os bens materiais a gente recupera. Mas eu fiquei feliz e aliviado por achar ela com vida. Isso é o mais importante. Claro que dá tristeza ver tudo destruído, mas aos poucos se recupera. A vida, não. A vida é irrecuperável”, disse.

Ele, que é ex-militar da Marinha, participou da missão de paz no Haiti, iniciada em 2004 e que durou 13 anos. “Lá eu cheguei depois, quando tudo já tinha acontecido. Nunca tinha vivido algo assim, no momento em que ocorre, e tão perto da minha casa. É completamente diferente”, afirmou. Perguntado se pensa em morar em outra cidade, a resposta é rápida. “Quero ajudar a cidade a se reerguer e seguir em frente.”

O estudante Eduardo Henrique Zanotto, 22 anos, não imaginava o tamanho do estrago que seria feito pela chuva, que depois confirmou ser um tornado. “No momento em que começou a destelhar a casa, eu e minha mãe corremos para o banheiro. Meu pai ficou para trás e acabou se abrigando debaixo de uma mesa, e isso foi o que salvou ele. Ele foi arrastado, se machucou todo, cortou a perna, ficou com o braço ferido, com um pedaço de madeira preso”, detalhou o jovem.

"Ver tanta gente se unindo assim é muito importante. Dá força pra seguir em frente", afirma Eduardo. Foto: Roberto Dziura Jr./AEN

 

“Assim que o vento parou, ele conseguiu entrar no banheiro, retirou a madeira, mas começou a sangrar muito. Improvisamos um pano para estancar o sangue e pedimos ajuda para os vizinhos, porque tudo aqui estava cercado, cheio de fios caídos, e a gente não sabia se estavam energizados”, continuou.

Os pais de Eduardo foram para uma unidade de saúde e, mesmo debilitado, o pai já estava na linha de frente, dirigindo a ambulância até Laranjeiras do Sul, uma vez que não havia motorista disponível para levar as pessoas que necessitavam de atendimento. “Acho que ele sentiu que precisava ajudar, e foi o que ele fez.”

Ele destaca que os vizinhos já começaram a reconstruir, em uma rede de solidariedade. “Tem gente que nunca tinha visto e veio ajudar, famílias de outros municípios, amigos que vieram de longe. Minha irmã veio de Foz do Iguaçu na mesma noite para dar apoio. Ver tanta gente se unindo assim é muito importante. Dá força pra seguir em frente”, finalizou.

Carla Kerkhoff, de 24 anos, recorda com detalhes o fim de tarde que mudou a história de Rio Bonito do Iguaçu. “Naquele dia, meu marido chegou mais cedo do serviço, parece que foi Deus que mandou ele vir antes. O problema começou por volta das 6 horas da tarde. O tempo já estava muito feio. De repente, vimos o telhado das casas da frente sendo arrancado”, detalhou.

Carla chegou a ter ferimentos pelo corpo. Foto: Roberto Dziura Jr./AEN

 

Eles se jogaram no chão e se abrigaram embaixo de uma mesa. “Logo em seguida, tudo desabou. O telhado caiu, estragou todos os móveis. Foi perda total. As cadeiras, os armários, tudo destruído. Se tivesse atingido a gente diretamente, não sei o que poderia ter acontecido”, complementou.

Ela teve ferimentos nas pernas e roxos pelo corpo, após ser atingida pelos estilhaços de vidro da janela e pedaços do telhado. A casa onde eles moravam era alugada. Desde a tragédia, Carla e o marido estão na casa de parentes. “As medidas anunciadas, como ajuda financeira e apoio às famílias, trazem um pouco de esperança. Porque, sem isso, não temos condições de recomeçar. A nossa família é simples, ninguém tem como ajudar financeiramente. Essa ajuda é essencial para gente. É o que vai salvar nossa vida agora”, afirmou.

A idosa Anatália Lunardi, de 63 anos, relata os momentos de terror vividos durante a passagem do tornado. “Os vidros começaram a estilhaçar, aquele barulho todo, e ficamos apavorados. Foi feia a coisa. Quando conseguimos sair, olhamos a vizinhança, tudo destruído, todo mundo na mesma situação. Foi apavorante”, lembrou.

“Na hora, eu me escondi embaixo da mesa de madeira para tentar me proteger. Meu marido foi para a parte dos fundos e ficamos sem saber o que fazer. Ali perto da minha casa, o pessoal começou a se unir para ajudar, fazer doações, e eu acho isso muito bom. É o que tem que ser feito, ajudar quem mais precisa. Tem pessoas que ficaram sem nada, as casas foram levadas inteiras, e infelizmente teve gente que morreu”, disse, se solidarizando com os vizinhos que estão em situação igual ou muito pior do que a dela.

“Agora é a hora da reconstrução. Vai ser aos pouquinhos, não tem como fazer tudo rápido. Um ajuda o outro, e assim a gente vai tentando levantar. Não é fácil para ninguém, mas a gente tem que ter força para recomeçar. Eu sempre falo para os meus vizinhos ‘temos que ter força, estamos vivos, vamos à luta’. Agora é reconstruir e seguir a vida aqui em Rio Bonito. A cidade vai se reerguer. Com união e ajuda de todos, logo tudo volta ao normal”, arrematou.

O Governo do Estado deve destinar cerca de R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap) para auxiliar na reconstrução do município de Rio Bonito do Iguaçu.

No sábado (8), o governo encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que altera as regras de repasse do Fecap, para que os recursos possam ser repassados diretamente às famílias, que vão receber até R$ 50 mil cada para reconstrução de suas casas – os detalhes ainda serão estabelecidos por decreto.

A Cohapar também está levantando, junto com engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA/PR), todos os prejuízos para auxiliar no direcionamento dos recursos. Pelo menos 90% do município foi afetado pelo tornado, com a destruição de residências e prédios públicos.

Também já foi autorizado o processo de reconstrução das escolas que foram destruídas. A Secretaria de Estado da Educação já tinha anunciado no sábado que a aplicação da prova do Enem, que aconteceria neste domingo, foi adiada na cidade.

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