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O Gato Kahlo e a Poética da Consciência

Sustentabilidade em cena: figurinos, adereços e cenários feitos com materiais recicláveis e biodegradáveis — arte e ética no mesmo ato.

por Flávio Mello

Secretário Municipal de Cultura

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@flaviomelloescritor

 

No dia 10 de setembro, por volta das duas da tarde, recebi a mensagem da produtora cultural Érika Vernek. Falava com entusiasmo sobre um projeto que, segundo suas palavras, “nasceu do desejo de transformar a arte em uma ferramenta de conscientização ambiental”. Era o Teatro é Escola – Criança Consciente, aprovado pelo Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (PROFICE), da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com apoio da COPEL e das Secretarias de Cultura e Educação dos municípios envolvidos.

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Sou naturalmente curioso — e talvez um tanto desconfiado quando algo parece bom demais. Então, fiz o que muitos fariam: corri ao Google. O que encontrei não foi apenas um projeto de teatro escolar, mas uma proposta que tratava a criança como público de direito — e de alma. E quando vi a peça, essa impressão se confirmou: não se tratava de um discurso panfletário sobre o meio ambiente, mas de uma verdadeira experiência poética e sensorial.

O espetáculo “O Gato Kahlo”, com direção e dramaturgia de Gabriel Vernek, parte do princípio de que o teatro é, antes de tudo, um convite ao encantamento. O enredo — que fala de amizade, lealdade e da urgência em preservar o planeta — encontra nas metáforas a medida exata entre o lúdico e o necessário. As crianças riram, se emocionaram, e — talvez sem perceber — foram tocadas por uma mensagem profunda: cuidar da Terra é cuidar de si mesmas.

Gabriel, que também subiu ao palco para substituir um dos atores ausentes, demonstrou o que sempre defendo: a arte só é verdadeira quando tem alma. Ele é desses artistas raros, com olhar poético e sensibilidade afiada. Escrever e encenar para crianças exige delicadeza e coragem — afinal, o público infantil é o mais honesto que existe. Como dizia o dramaturgo Peter Brook, “as crianças não fingem estar interessadas”. Se elas param para ouvir, é porque algo nelas foi realmente tocado.

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E foi isso que vi acontecer no palco. Guerra Figueiredo, Vinícius Alexandre (vivendo o menino Pedro) e Gabriel Vernek deram vida a personagens cheios de energia, humor e empatia. Em cena, havia movimento, cor, música e uma verdade pulsante. As falas fugiam do didatismo raso e mergulhavam em camadas de reflexão, traduzindo em fantasia as dores do planeta real.

Um detalhe que merece destaque: todo o cenário e os figurinos foram confeccionados com materiais recicláveis e biodegradáveis — uma escolha estética e ética. A artista Nessandra Cordeiro, responsável pelo cenário, criou verdadeiras esculturas ecológicas: árvores feitas de cilindros de papelão, restos de madeira e jornais; montanhas de livros didáticos descartados; pipas de sacolas plásticas. A sustentabilidade estava em cada centímetro do palco — e não apenas como tema, mas como prática.

O figurinista Kevin Braga completou essa harmonia visual com roupas produzidas a partir de refugos de confecção, tornando cada personagem uma metáfora viva da transformação: o lixo que vira arte, o descarte que encontra beleza.

A apresentação em Siqueira Campos aconteceu no dia 24 de outubro, às 16h30, com duração aproximada de 30 minutos. Uma pequena janela de tempo, é verdade — mas o suficiente para abrir grandes janelas na imaginação das crianças que assistiram.

Durante o bate-papo após o espetáculo, Gabriel conversou com os alunos do Colégio Estadual Professor Segismundo Antunes Netto, com a sensibilidade de quem sabe que ensinar é também escutar. Agradeço, aqui, ao diretor Francisco Manoel de Carvalho Neto por permitir que seus jovens atores participassem desse momento. Foi bonito ver o brilho no olhar deles — esse mesmo brilho que faz o teatro existir.

Saí do teatro com a sensação de que algo muito bonito havia acontecido ali — algo que não se mede em aplausos, mas em sementes. Que esse “gato Kahlo”, em sua turnê pelo interior do Paraná, continue plantando arte, consciência e esperança.

E como diria o próprio Gabriel, entre risos e metáforas: o teatro é a forma mais humana de dizer que ainda há tempo de mudar.

Fecho a cortina, feliz por ter assistido.

Até o próximo ato.

Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.

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