DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
O Norte Pioneiro tem enfrentado dias de muita fumaça, fuligem e preocupação. Nos últimos dias, várias cidades da região registraram incêndios em terrenos baldios, plantações e áreas de mata. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar reforçam o alerta: além de ser crime ambiental, colocar fogo em qualquer tipo de vegetação ameaça a saúde, a segurança e o meio ambiente.
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O Tenente Arthur Borges, comandante do Corpo de Bombeiros de Jacarezinho, explica que o número de ocorrências aumentou neste ano em comparação ao anterior. Segundo ele, o tempo seco, o vento forte e o calor ajudam as chamas a se espalharem rapidamente. “Infelizmente, temos visto ao longo de julho, agosto e agora setembro um crescimento nas queimadas. Muitas vezes o fogo começa pequeno, mas quando percebido já tomou grandes proporções, dificultando nosso combate”, relata.
O problema é ainda maior porque a estrutura de atendimento é limitada. “Atendemos 22 municípios com apenas três quartéis. Não temos braço para abraçar tudo, por isso contamos muito com o apoio das Prefeituras, da Defesa Civil e até da própria população no sentido de acionar o 193 assim que avistar o fogo”, afirma o Tenente.
Colocar fogo em matas, plantações, terrenos baldios ou lotes vagos não é apenas irresponsável, é crime. A lei prevê até quatro anos de prisão para quem for flagrado iniciando um incêndio. “Qualquer tipo de fogo em floresta, área rural ou urbana se enquadra como crime ambiental. Se a polícia chegar ao local e constatar que a pessoa foi responsável, ela pode ser presa”, explica o comandante.
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Mesmo assim, a preocupação das autoridades não é apenas com a punição, mas também com o impacto que o fogo causa. “Não é só pelo risco de cadeia que as pessoas devem evitar. O grande problema é o dano ao meio ambiente, à fauna, à flora e também às pessoas, principalmente pela questão respiratória”, completa.
A fumaça e a fuligem liberadas nos incêndios são altamente prejudiciais. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias sofrem ainda mais. “Respirar essa fumaça é muito nocivo. Temos recebido relatos de pessoas passando mal, com crises de asma, bronquite e outras complicações”, afirma o Tenente Borges.
A orientação é clara: se a população presenciar alguém ateando fogo de forma criminosa, deve ligar imediatamente para o 190 e, se possível, registrar imagens para ajudar na identificação. Já nos casos em que o incêndio já está em andamento, o contato deve ser feito pelo 193.
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Nas cidades onde não há Corpo de Bombeiros, a recomendação é procurar a Defesa Civil municipal ou a própria Prefeitura, que geralmente possui caminhões-pipa para auxiliar no combate inicial. “Muitas cidades pequenas não têm quartel, mas sempre existe algum recurso que pode ser acionado. O importante é não deixar o fogo se espalhar”, reforça o comandante.
A recomendação é nunca tentar apagar sozinho um incêndio de grandes proporções, já que o risco de intoxicação e até de morte é real. O ideal é acionar as autoridades e manter distância. Em casos de fogo próximo a residências, a orientação é proteger os moradores, fechar portas e janelas e retirar as pessoas do local até a chegada do apoio.
“Entendemos que muitas vezes bate o desespero, porque a pessoa pensa que vai perder a casa ou a plantação. Mas é preciso ter cuidado, porque enfrentar as chamas sem preparo pode ser ainda mais perigoso”, alerta Borges.
O comandante faz um último apelo à consciência coletiva. “Nós, bombeiros, estamos prontos para agir, mas precisamos da colaboração da população. Se cada um fizer sua parte e não colocar fogo, já estaremos dando um grande passo para proteger nosso meio ambiente e nossa própria saúde.”