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Não foi um domingo qualquer

O FORTEA PR-SP nasce para criar pontes e ampliar vozes. Nasce da ousadia de acreditar que a cultura é maior que a indiferença, maior que o descaso

por Flávio Mello

Secretário Municipal de Cultura

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@flaviomelloescritor

 

“Devo mais ao teatro, do que posso pagar em uma vida.”

(Vinícius Cardoso)

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Não foi um domingo qualquer. Não teria como ser, porque a Arte que nos move não permite que exista um domingo qualquer. Desde que Vinícius Cardoso e Wiber Willian começaram a trabalhar comigo, saí da minha zona de conforto — e devo confessar: era isso mesmo que eu esperava deles. Vinícius, ator e pensador; Wiber, palhaço e articulador; e eu, um agente cultural que já se viu sozinho, mas que hoje não se vê mais.

Domingo, para mim, costuma ser o dia dos vinis, dos livros, da escrita, da cerveja e, quem sabe, uma partida de videogame. Mas este não seria assim. A pedido — ou melhor, pela convocação — de Vinícius, que tenho como um filho, estava intimado a participar do Fórum de Cooperação para Grupos de Teatro do Norte do Paraná e Sul de São Paulo (FORTEA PR-SP). Seria em Jacarezinho, dentro do Festival EnCena – 20 anos, e minha presença era essencial, pois eu seria empossado como patrono ao lado de figuras singulares.

E lá fomos nós: Wiber ficou na Casa da Cultura cuidando das finais do campeonato de videogame, e eu segui com Vinícius rumo a Jacarezinho. No caminho, já sentia que aquele domingo mudaria minha rotina, mas não tinha noção de que seria também um divisor de águas para a cena teatral regional.

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Na Biblioteca Cidadã Rodrigo Octávio, o Fórum reuniu representantes de cidades do Paraná — Siqueira Campos, Jacarezinho, Cambará, Bandeirantes, Quatiguá, Tomazina, Ribeirão Claro e Arapongas — e de São Paulo — Santa Cruz do Rio Pardo, Ourinhos, Taguaí, Taquarituba, Assis, Bernardino Campos, Piraju e Ipaussu. Ver artistas, gestores, professores e articuladores vindos de tantos lugares, unidos em um só propósito, foi testemunhar a força de uma coletividade que não se curva às dificuldades.

Ali, fui empossado como patrono ao lado de James Rios, de Jacarezinho, e Antônio Rodrigues, do IFPR. Uma responsabilidade que vai muito além do título: significa assumir, junto com os artistas, a tarefa de fortalecer pontes e manter viva a chama da resistência cultural.

As falas dos que ali estavam mostraram a dimensão desse encontro. Vinícius Cardoso afirmou: “Acredito que esse foi um primeiro passo, bastante significativo e importante, para que possamos caminhar juntos em estabelecer relações firmes e sólidas. Para a cena do teatro na região.”

Todos os presentes demonstraram interesse em participar da troca de experiências, vivências, saberes e competências propostas a partir do evento. Foto: Flávio Mello

 

A Dirigente do Fórum, Professora Mestra Larissa Miranda Júlio, completou com emoção: “Foi um grande prazer encontrar egressos do Curso de Teatro do IFPR/Jacarezinho organizando um evento deste porte, unindo lideranças e agentes culturais dos dois estados, apesar de suas fronteiras. É um projeto com certeza inovador e que contribuirá enormemente para o desenvolvimento cultural da região por meio de cooperação entre grupos, produtores, artistas independentes e instituições locais. Fiquei extremamente honrada em poder auxiliar desde quando me convidaram, como representante do Núcleo de Arte e Cultura do IFPR/Jacarezinho, para ser dirigente do Fórum. Todos os presentes demonstraram interesse em participar da troca de experiências, vivências, saberes e competências propostas a partir do evento.”

E Isabela Gonçalves, articuladora paulista, resumiu a essência do que se viveu: “O FORTEA PR-SP nasce do encontro de duas regiões que entenderam que não há fronteiras para o diálogo. O teatro é coletivo — e o Fórum é a institucionalização dessa natureza.”

Depois do Fórum, seguimos para o espetáculo Phantasmagoria, no Festival de Teatro de Jacarezinho. Um universo steampunk, devastado pela “Morte Escarlate”, tomou o palco. Música ao vivo, dança, bonecos grotescos e narrativas sombrias criaram uma atmosfera única, daquelas que misturam horror e encanto na mesma medida. Saí de lá tomado pela certeza de que o teatro continua sendo um dos mais potentes espelhos da humanidade.

Ser gestor de cultura é carregar um peso que também é um privilégio. Eu sei que lido com os sonhos de centenas de artistas e com o direito de milhares de pessoas que são agraciadas pelas ações deles. Cultura não é hobby, artista não vive de amor, e a arte não é apenas entretenimento. Arte é profissão, sustento, vida. Dar as costas a ela é crime irreparável. Por isso, estar ao lado de Vinícius e Wiber nessa luta é uma honra que carrego com convicção.

Volto à frase de Vinícius: devo mais ao teatro do que poderia pagar em uma vida. Nesse domingo, entendi mais uma vez o peso e a verdade dessas palavras. Não foi um domingo qualquer: foi o domingo em que o teatro reafirmou sua força, em que cidades do Paraná e de São Paulo se deram as mãos, em que a cena se mostrou viva e pulsante. Foi o domingo em que eu, mais uma vez, reafirmei minha entrega total à Arte.

Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.

 

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