DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
ARAPOTI - Nesta última segunda-feira (20), a Câmara dos Vereadores de Arapoti, nos Campos Gerais, aprovou um Projeto de Lei que determina proibições contra os chamados “Carretões da Alegria”. Os veículos, populares em praticamente todo o país, contam com inúmeras músicas e danças consideradas indecentes, normalmente de cunho sexual, e na visão dos parlamentares, essas ações são prejudiciais para a infância, tendo em vista que muitas crianças realizam passeios com a carreta, e estão expostas a este tipo de conteúdo.
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A divulgação do projeto tomou grandes proporções, e com ela, uma série de questionamentos e revoltas tomou conta das redes sociais durante a semana. Com isso, a reportagem da Folha conversou exclusivamente com o vereador Maicon Pot, autor da lei e presidente da Casa, que afirmou propor a medida a partir de problemas registrados anteriormente no município, que causaram desconforto e insegurança nos moradores.
Em entrevista, o vereador afirmou que o projeto é simples e direto, buscando a segurança das crianças arapotienses, que ficam expostas a conteúdos sexualizados presentes nestes veículos. “A proposta é simples. As crianças não têm que ficar expostas a este tipo de conteúdo, com letras e danças erotizadas, que prejudicam a infância. Queremos apenas proteger as nossas crianças”, destacou Maicon durante a entrevista.
“São músicas que falam de coisas que crianças não precisam saber. Ficam lá no ‘senta, senta, toma, toma’ e isso não é coisa para criança ficar ouvindo”
O texto do projeto é autoexplicativo. O Art.1º da proposta afirma que, caso aprovada, “Fica proibida a reprodução de músicas com conteúdo adulto, incluindo letras com linguagem explícita, temas sexuais, violência ou apologia ao uso de substâncias ilícitas, em locomotivas de passeio destinadas ao público infantil em espaços públicos ou privados no município de Arapoti”, diz o artigo. O descumprimento da medida poderá resultar em advertências, multas e até mesmo a suspensão de operação no município.
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No entanto, surgiram inúmeras especulações sobre, até mesmo de moradores questionando o porquê da medida sendo que em casa ou nas lojas estas músicas circulam frequentemente. “Essas carretas pegam alvará aqui na prefeitura, nós as liberamos para andar com as crianças. Daí elas pegam dinheiro do nosso povo e ainda colocam em risco a infância das nossas crianças com essas letras e danças obscenas”, enfatizou Maicon.
O vereador ainda exemplificou a intensidade das letras explícitas nestes passeios. “São músicas que falam de coisas que crianças não precisam saber. Ficam lá no ‘senta, senta, toma, toma’ e isso não é coisa para criança ficar ouvindo”, afirmou.
Ainda em entrevista, Maicon explicou que a medida surgiu a partir de problemas registrados anteriormente no município. “Pais já me questionaram do porquê de a prefeitura deixar estas carretas com letras deste tipo perto das crianças. Recebemos diversas reclamações já, tanto dos moradores, do Conselho Tutelar, e precisamos de uma Lei para tomar providências”, explicou.
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“Eu já vi os personagens, que são fantasiados com personagens icônicos, se esfregando durante as músicas. E não podemos deixar isso, são cenas sexualizadas. Queremos proteger as nossas crianças deste tipo de conteúdo”, enalteceu o vereador.
Maicon ainda contou de um episódio mais antigo na cidade, onde um Padre precisou sair da igreja e pedir para que o proprietário da carreta desligasse o som. “As carretas, quando vêm aqui na cidade, ficam na praça, em frente a Igreja. Nesse episódio, eles soltaram o som alto, com este mesmo tipo de música na frente da Igreja, sem respeitar. Até que o Padre da época saiu e pediu para que parassem”, contou.
O vereador ainda destacou que a medida não é para privar os moradores do lazer, nem proibir a presença das carretas ou qualquer outro veículo do tipo na cidade, mas sim proteger as crianças proibindo músicas e danças erotizadas. “Não estamos proibindo as carretas, o problema não são elas, mas sim o conteúdo, as músicas, as danças que não são próprias para as crianças”, destacou.
Contudo, o projeto, aprovado por unanimidade em primeira votação, passará por uma segunda votação na próxima segunda-feira (01) e, caso aprovado novamente, seguirá para a sanção do prefeito Irani José Barros. Segundo o Art.5º do projeto, a partir da sanção, a lei entra em vigor 45 dias após sua publicação.