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“Novos desafios sociais”, diz psicólogo após multidão apenas assistir e filmar jovem sendo espancada em Siqueira Campos

Falta de impulso para ajudar em algumas situações pode estar diretamente ligada às práticas atuais, uso da tecnologia e à exposição a conteúdos violentos na internet

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

SIQUEIRA CAMPOS - No último final de semana, o Norte Pioneiro foi palco de um episódio chocante de barbárie. Em plena Festa do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, na cidade de Siqueira Campos, o maior evento religioso da região, uma jovem foi brutalmente espancada por cinco mulheres, diante de uma multidão inerte. A cena, marcada por extrema violência e crueldade, quase terminou em tragédia. E o que choca ainda mais é o comportamento das pessoas em volta, que se passaram por plateia. Em vez de socorrer a vítima, muitos apenas assistiram passivamente, alguns chegaram a filmar o espancamento como se fosse um espetáculo. Um retrato perturbador da indiferença humana.

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Diante dos inúmeros questionamentos e reações negativas sobre esse tipo de comportamento, cada vez mais comum em diferentes contextos e situações, a reportagem da Folha ouviu o psicólogo Julio Cesar Freitas Giovanni. Segundo ele, a sociedade tem se tornado “mais fria” e insensível, resultado direto do avanço do individualismo, um fenômeno que cresce de forma alarmante e influencia profundamente as relações humanas, trazendo novos desafios para conceitos primordiais do ser humano, como a empatia, solidariedade e compaixão pelo próximo, especialmente em situações como a de Tayane de Souza, vítima das agressões em Siqueira Campos. Veja o caso aqui.

"Isso não significa um colapso moral. Significa que estamos diante de novos desafios sociais, culturais e tecnológicos, que mudam a forma como nos relacionamos”

De acordo com o especialista, situações como a que ocorreu durante a festa têm se tornado cada vez mais frequentes no convívio social. E embora nada justifique a omissão diante da violência, a Psicologia oferece caminhos para compreender por que esse tipo de comportamento tem se repetido. “Quando presenciamos uma agressão, como a que ocorreu na Festa do Senhor Bom Jesus, e as pessoas ao redor não reagem, ou pior, apenas pegam o celular para filmar, estamos diante de um fenômeno multifatorial”, explica o psicólogo.

“Pode ser o chamado Efeito Espectador, onde cada indivíduo acredita que outra pessoa irá intervir, pode ser o reflexo de uma sociedade emocionalmente sobrecarregada e dessensibilizada pelo contato constante com cenas de violência, ou ainda a manifestação da chamada Cultura do Registro, em que ajudar é secundário diante da vontade de gravar e compartilhar o momento”, destacou.

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Com o crescimento das interações nas redes sociais e a realidade de que conteúdos mais violentos atraem ainda mais atenção dos internautas, a sociedade vem se tornando cada vez mais insensível emocionalmente. O que passa a valer, na maioria das vezes, não é o impacto real do sofrimento retratado, mas sim a quantidade de likes, comentários, compartilhamentos e a visibilidade que aquele perfil, página ou canal vai conquistar ao publicar tal conteúdo.

“Esse comportamento está diretamente ligado a uma busca incessante por validação nas redes sociais, alimentada pela falsa impressão de que ‘registrar o momento já é uma forma de ajudar’. No entanto, apenas filmar ou compartilhar não equivale a oferecer ajuda de verdade”, afirmou Julio.

O psicólogo também destaca que, em meio ao individualismo predominante na sociedade atual, onde o foco está cada vez mais no “eu estar bem”, a cooperação e a solidariedade pública acabam enfraquecendo, especialmente em situações como a agressão brutal sofrida pela jovem Tayane, mas isso não quer dizer que toda a sociedade esfriou.

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“É importante lembrar que não vivemos exatamente os mesmos princípios coletivos de outras épocas, mas isso não significa um colapso moral. Significa que estamos diante de novos desafios sociais, culturais e tecnológicos, que mudam a forma como nos relacionamos”, disse.

“Mais do que afirmar que a sociedade se tornou mais fria, talvez estejamos testemunhando uma reconfiguração dos vínculos humanos, marcada por novos desafios à solidariedade, diferentes daqueles que conhecíamos antes, e ao mesmo tempo, surgem novas maneiras de expressar o cuidado e a empatia”, completou.

Contudo, segundo Julio, a combinação desses fatores, o efeito espectador, cansaço extremo, uso constante de tecnologias e a banalização da violência nas redes sociais, ajuda a explicar, sem justificar, por que muitas pessoas acabam reagindo com frieza em momentos em que o ideal seria agir ou oferecer apoio.

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