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Ozzy Osbourne morreu, e daí?

Morreu o homem que foi — e continuará sendo — referência para milhares de músicos e fãs ao redor do mundo

Por Flávio Mello

Escritor e Secretário de Cultura

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@flaviomelloescritor

 

Sim, o Ozzy se foi — o tão temido e excêntrico Príncipe das Trevas. Aquele da voz inconfundível e presença inigualável. O cara que, ao lado de seus amigos, deu início ao que chamamos de heavy metal, por mais que esse rótulo o incomodasse. Morreu o homem que foi — e continuará sendo — referência para milhares de músicos e fãs ao redor do mundo.

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Triste pensar nisso, mais triste ainda é escrever esta crônica no dia de sua morte.

Meu primeiro contato com o Black Sabbath — não apenas com o Ozzy — foi através do meu irmão mais velho, o segundo, Fábio. Ele chegou em casa com dois LPs: um do Iron Maiden, The Killers, e outro do Sabbath, Kings of Hell. As capas, claro, me aterrorizavam: de um lado o Eddie com sua machadinha, do outro, um crânio sobre uma bíblia em chamas. Isso foi lá por 1989 ou 1990, e eu acredito que a coletânea que ouvi era a versão de 1984. As faixas incluíam:

The Wizard
War Pigs
Changes
Sabbath Bloody Sabbath
Sweet Leaf
Paranoid
Solitude
Black Sabbath
Cornucopia
Tomorrow’s Dream
Laguna Sunrise

Só por esse setlist já dá para entender o quanto aquele dia foi assustador — e transformador. Lembro do meu desespero em tentar traduzir as letras, pois a sonoridade por si só já havia me conquistado. Daquele dia em diante, eu seria um menino/homem completamente diferente.

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Devo confessar: naquela época, eu não gostava da voz do Ozzy. Na verdade, ainda não gosto. Para mim, o Sabbath sempre foi Dio — e apenas o Dio. Mas sempre respeitei a figura emblemática e avassaladora de Ozzy. Tive camisetas com sua estampa e acompanhei sua carreira solo após a saída conturbada da banda.

Quem me conhece sabe o quanto amo música pesada — e o quanto me divirto vendo as pessoas assustadas com o que ouço. Acreditem: Ozzy e Sabbath estão longe de ser os mais “pesados” na minha lista. Mas meu estado de rebeldia diária nasceu ali, naquele momento, com aqueles discos e aquela revolução sonora.

Hoje, dia 22 de julho de 2025, fui trabalhar com uma camiseta do Black Sabbath. Um amigo, em meio ao silêncio da tarde, me disse que Ozzy havia morrido. Foi como se algo dentro de mim tivesse congelado.

Ozzy Osbourne — A História do Príncipe das Trevas

Ozzy, o Príncipe das Trevas.

John Michael Osbourne, mundialmente conhecido como Ozzy Osbourne, nasceu em 3 de dezembro de 1948, em Aston, um bairro operário de Birmingham, Inglaterra. Filho de operários, cresceu em uma família numerosa e humilde. Na adolescência, abandonou a escola e teve passagens difíceis, incluindo prisão por pequenos furtos. Mas foi na música que encontrou redenção.

Em 1968, se juntou a Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward para formar o Earth, banda que logo se transformaria no Black Sabbath, nome inspirado em um filme de terror. Em 1970, o primeiro álbum, Black Sabbath, deu início ao heavy metal como conhecemos hoje. Riffs sombrios, letras macabras e a voz única de Ozzy mudaram a música para sempre.

Com álbuns como Paranoid (1970) e Master of Reality (1971), o Sabbath consolidou-se como um dos pilares do metal. Mas o abuso de substâncias e conflitos internos culminaram na demissão de Ozzy em 1979.

Poucos apostavam na sua continuidade artística, mas ele ressurgiu com Blizzard of Ozz (1980), que trouxe clássicos como Crazy Train e Mr. Crowley. Nascia a carreira solo de uma lenda — marcada também pela trágica morte de Randy Rhoads, seu guitarrista genial.

Ozzy era mais que música. Era personagem. Era polêmica. Da famosa mordida em um morcego ao reality show The Osbournes, ele transitava entre o palco e o caos com maestria. Com o tempo, enfrentou problemas sérios de saúde, mas nunca perdeu o apoio da esposa, Sharon, e o carinho dos fãs.

Ozzy morreu. E muita gente não vai suportar essa perda — assim como foi com o maestro André Mattos.

Essa morte me fez lembrar de uma lista assustadora: meus ídolos estão chegando ao fim da estrada. A carruagem fúnebre — ou o Bustour, como na capa de Abigail, do King Diamond — parece estar fazendo fila:

Ozzy Osbourne (Black Sabbath, solo)
Rob Halford (Judas Priest) – 73 anos
Bruce Dickinson (Iron Maiden) – 67 anos
Klaus Meine (Scorpions) – 77 anos
Biff Byford (Saxon) – 74 anos
David Coverdale (Whitesnake, Deep Purple) – 73 anos
Alice Cooper (solo) – 77 anos
Glenn Hughes (Deep Purple, Sabbath, solo) – 73 anos
Udo Dirkschneider (Accept, U.D.O.) – 73 anos
Ian Gillan (Deep Purple) – 79 anos

Esses nomes moldaram minha identidade artística e pessoal. E nem estou contando os brasileiros. A lista seria ainda maior... e mais dolorosa.

Hoje, eu me sinto um pouco perdido, na floresta do alheamento. A cultura que me formou está perdendo seus pilares.

Mas ainda resta gratidão.

Obrigado, Ozzy. Por ter guiado aquele menino assustado até aqui. Por ter aberto portais que muitos nem sabiam que existiam. Por ser a escuridão e a luz de toda uma geração.

Descanse em paz, Príncipe das Trevas.

 

 

Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.

 

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