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Tarifa anunciada por Trump provoca crise em empresas de Jaguariaíva, Arapoti e Telêmaco Borba, nos Campos Gerais
Empresas anunciaram férias coletivas enquanto outras veem seu principal mercado desaparecer em meio à crise econômica
Davi Martins24/07/2025
BrasPine anunciou férias para 1,5 mil de seus 2,5 mil funcionários. Foto: Divulgação
DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar para 50% a tarifa sobre produtos importados do Brasil já começa a provocar impactos profundos na economia nacional. A medida preocupa diversas regiões do país, com destaque para empresas dos Campos Gerais do Paraná, onde a forte dependência das exportações para o mercado americano tem colocado empresas em crise e colocado em risco centenas de empregos diretos e indiretos. O aumento das tarifas ameaça a sustentabilidade econômica local, gerando um cenário de incerteza e desafios que pode se refletir em toda a cadeia produtiva da região.
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Em municípios como Jaguariaíva, Telêmaco Borba, que são movimentados economicamente pelo setor industrial, os efeitos já são sentidos por centenas de trabalhadores, enquanto o setor do mel na cidade de Arapoti também vê seu principal mercado desaparecer. Com fábricas em Jaguariaíva e Telêmaco Borba, a BrasPine Madeiras, referência na produção de molduras de pinus para exportação, foi uma das primeiras a reagir à medida.
No dia 10 deste mês, a empresa anunciou, por meio de um comunicado interno e, posteriormente em nota oficial, férias coletivas de 30 dias para 700 funcionários da unidade de Jaguariaíva. Por meio do comunicado, a empresa afirmou que teria sido surpreendida pela medida norte-americana, mas que estaria trabalhando para lidar com a medida da melhor forma possível, buscando manter um equilíbrio no setor financeiro.
Porém, após duas semanas da decisão, a empresa emitiu uma nova nota, informando que a medida também será aplicada na unidade de Telêmaco Borba, impactando diretamente 800 funcionários. O cenário se torna agravante ao notar que, nas duas unidades, a quantidade somada de trabalhadores é de 2,5 mil, e a medida da empresa impactará 1,5 mil destes funcionários.
Ainda no setor industrial, a Sudati, empresa brasileira especializada na fabricação de compensados e MDF, adotou uma medida ainda mais severa. Nesta semana, a companhia anunciou o corte de aproximadamente 100 funcionários em suas unidades de Ventania e Telêmaco Borba. Segundo a empresa, essa decisão é consequência direta das dificuldades crescentes enfrentadas no mercado internacional, agravadas pelas recentes mudanças nas condições comerciais.
Além do setor madeireiro, tarifa também já afeta produtores de Mel da região de Arapoti. Foto: Freepik
Fora das indústrias, a medida anunciada pelo presidente norte-americano também tem assustado produtores do município de Arapoti, que podem perder seu principal mercado. A cidade, conhecida por ser o maior polo de produção de mel do Brasil, pode ver um de seus principais mercados ruir diante da nova política americana. De acordo com Ricardo Rodrigues Pedroso, presidente da Associação dos Apicultores e Meliponicultores Campos Floridos (AAPICAF), uma das empresas exportadoras da região já suspendeu as compras após o anúncio da tarifa.
“O medo é de que a próxima safra, que começa já em agosto, não tenha para onde ir. A maioria das famílias aqui vive do mel. Essa tarifa não afeta só exportações, ela ameaça o sustento de centenas de pessoas”, afirmou Ricardo. A entidade já emitiu uma nota oficial apelando ao governo federal, ao Itamaraty e ao Ministério da Agricultura por uma solução diplomática urgente.
A cadeia produtiva do mel em Arapoti é composta majoritariamente por pequenos e médios produtores, organizados em sistema cooperativo. Por isso, qualquer desestabilização no mercado externo atinge diretamente a economia local, que gira em torno da atividade rural. Apesar de existirem possibilidades de exportação para a Europa e Ásia, os apicultores destacam que o volume e a regularidade das compras desses mercados ainda não se comparam ao dos Estados Unidos.
“São famílias inteiras envolvidas. Quando se para de comprar o mel, você não está só deixando de exportar — você está tirando comida da mesa de quem vive disso”, afirma Ricardo.
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