Na última quinta-feira (22), o governador Carlos Massa Ratinho Junior participou do AgroForum Cuiabá, evento organizado pelo banco BTG Pactual para profissionais e investidores do setor. Durante o evento, Ratinho Junior defendeu uma renovação das lideranças do país, afirmando que o Brasil precisa de uma nova geração no comando para ser “destravado”. Além da afirmação impactante, o governador também criticou o excesso de burocracia que, segundo ele, impede o avanço de investimentos e infraestrutura.
Em matéria do Estadão Rarinho, Ratinho Junior, potencial candidato do PSD à Presidência da República, afirmou que está na hora do Brasil mudar as lideranças e dar a oportunidade para novas gerações controlarem os poderes do país.
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“O Brasil está sendo governado há 40 anos pela geração das décadas de 50 e 60. Nada contra, muito obrigado, fizeram a sua parte. Agora é hora da minha geração assumir essa responsabilidade”, afirmou. “Chega de delegar tudo para eles. A minha geração precisa se posicionar, assumir cargos estratégicos e ajudar a desenvolver o Brasil”, acrescentou.
Ao lado do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), o governador ainda defendeu que o País vive uma fase positiva, dotada de protagonismo estadual e impulsionada pelo trabalho dos governadores estaduais. “Talvez nos últimos 30, 40 anos, e eu sou suspeito para falar porque estou no cargo, nunca tivemos uma safra tão boa de governadores como a que temos hoje”, disse.
Ratinho Junior ainda destacou que a maioria dos estados não são mais totalmente dependentes do governo federal, e com autonomia e poder, conseguem manter suas tarefas e alcançar novos objetivos. “Boa parte deles não depende mais do governo federal para tocar o dia a dia. Eu mesmo tenho três obras federais que estou executando com dinheiro do Estado”, comentou. Ele criticou também o que chamou de lógica do “país do não pode”.
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“Vamos fazer uma ferrovia? Não pode. Uma rodovia? Não pode. Um loteamento? Também não pode. Isso precisa mudar”, disse.
O governador associou o problema a uma cultura de entraves e ao que chamou de “pequeno poder” na ponta. “O pequeno poder é o que trava o Brasil. É onde a pessoa se sente importante criando burocracia para os outros.” Usando uma metáfora do campo, Ratinho comparou o País a um cavalo de raça contido por amarras:
“O Brasil é um puro-sangue com o freio puxado”.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, já afirmou que, “se o PSD tiver candidato à Presidência, será Ratinho Júnior”. A declaração ocorreu durante evento do PSD no Rio de Janeiro, ainda em abril de 2025. Na época, o dirigente o descreveu como “bem preparado” e responsável por “excelentes resultados no Paraná”.
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No início de maio, contudo, Kassab disse que a legenda poderá ter dois pré-candidatos de qualidade à Presidência. Dias depois, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, se filiou ao partido e confirmou que é pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
Quando questionado sobre a candidatura de Ratinho, Leite desconversou: “Se ele se apresentar futuramente como um candidato com maior viabilidade e for até o fim na sua aspiração, então ‘bora’, vamos juntos. Não tenho problema nenhum com isso”, disse Leite.
Além disso, Kassab continua articulando nos bastidores a possibilidade de apoiar o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na corrida presidencial. No entanto, a indicação depende do consentimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, apesar de estar inelegível por decisões da Justiça Eleitoral e responder a processos no Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que será candidato no ano que vem.
A existência de duas possíveis pré-candidaturas, Ratinho e Leite, não parece ser motivo de preocupação para a direção do PSD, que considera haver tempo suficiente para tomar uma decisão mais adiante. A legenda ainda não sinalizou critérios claros para a escolha de seu candidato e não tem planos de realizar prévias ou consultas internas neste momento.