Desde o dia 1º de abril, transportadoras terceirizadas que prestam serviços para os Correios entraram em paralisação total, gerando incertezas no setor logístico e afetando diretamente o transporte de encomendas em todo o país. O motivo para o movimento foi a falta de pagamento pelos serviços prestados ainda em janeiro de 2025, o que, segundo as empresas, inviabiliza a continuidade das atividades diante dos altos custos operacionais.
Com a greve ganhando força principalmente em estados como São Paulo, cresce a preocupação de consumidores e lojistas, especialmente no setor de compras online, que pode enfrentar atrasos generalizados nas entregas. Enquanto os Correios tentam minimizar os impactos, transportadoras cobram uma solução urgente para evitar o colapso completo do sistema de distribuição.
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Em nota publicada nas redes sociais e repercutida por veículos como o portal TudoCelular, as transportadoras afirmam que os valores referentes aos serviços de janeiro ainda não foram pagos, contrariando o cronograma previsto em contrato, que estipula pagamentos nos dias 16 e 28 dos meses subsequentes à prestação de serviço. Com isso, já se somam mais de 90 dias de atraso.
“As empresas não receberam os seus faturamentos de janeiro/2025, tornando impossível a continuidade das execuções dos serviços de cargas e entregas em âmbito nacional”, diz o comunicado, que também destaca a necessidade de cumprir com compromissos básicos como salários e combustíveis.
Os efeitos da paralisação já são sentidos em diversas regiões do país, principalmente em São Paulo, onde algumas empresas de transporte suspenderam totalmente suas entregas. No entanto, em algumas localidades, como no Paraná, o impacto ainda não é tão severo. Em entrevista à Folha, a empresária Alexandra Gonçalves de Oliveira, proprietária de uma rede de transportes em Wenceslau Braz, explicou que, até o momento, a greve ainda não afetou a região.
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“Por enquanto, aqui para nós a greve ainda não está tendo efeitos, mas caso os grandes centros, São Paulo e Curitiba, cheguem a fechar completamente, aí sim os efeitos da greve vão afetar todo mundo”, afirmou Alexandra. Ela ainda destacou que a maioria das transportadoras da região não possui vínculo direto com os Correios, o que deve evitar uma paralisação total local. “No setor de compras online, são poucas as encomendas entregues pelos Correios ou por algum prestador de serviço deles. Os Correios estão mais encarregados de entregar cartões, documentos ou cartas, enquanto transportadoras livres são as mais ocupadas em compras”, explicou.
Mesmo com a movimentação de paralisação em curso, os Correios emitiram nota garantindo que o serviço de entregas continua ocorrendo com normalidade em grande parte do país. De acordo com a estatal, apenas cerca de 6% das linhas de transporte terrestre estão em contingência, e os trechos afetados estão sendo atendidos pela frota própria da empresa. Os Correios também informam que os pagamentos às transportadoras estão sendo realizados gradualmente.
Com isso, consumidores devem redobrar a atenção ao realizar compras online. Caso o sistema de entrega esteja vinculado aos Correios ou a uma transportadora terceirizada afetada, é possível que o produto demore mais do que o previsto para chegar, ou que fique retido nos centros de distribuição até que a situação seja normalizada. Segundo Alexandra Gonçalves, todas as encomendas que estiverem com o aviso “Entregue pelos Correios” correm o risco de não serem entregues enquanto durar a paralisação.
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