Desde 2001, a Associação dos Cotonicultores do Paraná (Acopar) tem fortalecido a retomada da cotonicultura, mobilizando produtores e oferecendo suporte técnico. A entidade disponibiliza assistência especializada, maquinário para colheita e transporte, além de auxiliar na comercialização da produção.
Borghi, produtor assistido pela Acopar, destaca o potencial econômico da cultura. "Ainda há resistência, pois o algodão exige mais manejo e a soja é mais consolidada. Mas, com a queda nos preços da soja, o algodão surge como uma alternativa interessante", avalia.
Continua após a publicidade

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada no Brasil atingiu 1,8 milhão de hectares, aumento de 12,5%. Para a safra 2024/25, a previsão é de 5,4 milhões de toneladas de algodão em caroço, com produtividade média de 200 arrobas por hectare.
O presidente da Acopar, Almir Montecelli, enfatiza o potencial do Paraná, especialmente nas regiões Norte e Noroeste. O parque têxtil estadual consome 60 mil toneladas de pluma de algodão por ano, a maioria vinda do Cerrado. Para atender essa demanda, a área cultivada no Estado precisa saltar de 1,5 mil para 60 mil hectares em cinco anos.
A cotonicultura tem grande potencial de expansão, especialmente no Arenito, onde a cultura se adapta bem. Os desafios do passado foram superados: o algodão suporta estiagens, o bicudo está controlado e as novas variedades são mais resistentes. Além disso, a colheita é totalmente mecanizada.
Vantagens competitivas
O Paraná tem condições favoráveis para o algodão, com menor custo de produção. O investimento por hectare varia entre R$ 12 mil e R$ 14 mil, enquanto em outras regiões do Brasil pode chegar a R$ 25 mil. No Estado, são necessárias cerca de 11,7 aplicações de inseticidas por safra, contra 24 no Cerrado. A adubação também é reduzida: 620 quilos de fertilizante por hectare, frente a 1,2 tonelada no Cerrado.
Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP, ressalta que o algodão traz vantagens financeiras e contribui para a conservação do solo. O Paraná tem ainda a vantagem estratégica da colheita antecipada, permitindo o abastecimento do mercado interno durante a entressafra nacional.
Montecelli destaca a rentabilidade da cultura. Um produtor associado investiu R$ 8,4 mil por hectare na soja, colheu 54 sacas e obteve lucro de R$ 3 mil por hectare. No algodão, investiu R$ 15 mil, colheu 248 arrobas e obteve lucro de R$ 7,6 mil por hectare.
Além da rentabilidade, o algodão melhora a qualidade do solo e contribui para a rotação de culturas, reduzindo pragas e aumentando a produtividade das lavouras subsequentes.
Aristeu Sakamoto, produtor em Cambará, voltou a plantar algodão em 30 hectares, inspirado na história da família e no suporte da Acopar. Sua expectativa para a safra 2024/25 é superar 250 arrobas por hectare.
Desafios à vista
A falta de uma algodoeira no Paraná ainda encarece a produção, pois o beneficiamento ocorre em Martinópolis (SP). A Acopar busca resolver essa questão com a instalação de uma unidade em Ibiporã, prevista para os próximos anos.
O setor também busca incentivos governamentais para reduzir custos e expandir a produção. Edson Dornellas, presidente do Sindicato Rural de Londrina, destaca que o programa Irriga Paraná pode aumentar a produtividade da cultura. Além disso, a aquisição de maquinário usado de outras regiões pode facilitar a entrada de novos produtores na atividade.
Com planejamento e apoio, a cotonicultura paranaense tem potencial para crescer e se consolidar, trazendo mais diversificação e rentabilidade para o agronegócio estadual.