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Consumismo: quando aquela “comprinha” se torna uma doença

Consumismo: quando aquela “comprinha” se torna uma doença

Todas as ações do ser humano geram consequências, que podem ser tanto positivas, quanto negativas. Pequenas atitudes corriqueiras do dia a dia, como fazer aquela “comprinha” desnecessária, podem afetar sua vida financeira, além de criar problemas psicológicos gerados pelo consumo compulsivo.

Muitas vezes, vestido em forma de satisfação, aquela compra inocente implica em um certo alívio da ansiedade e estresse, o consumismo traz prazer durante um breve período e acaba acarretando consequências negativas, como conta a psicóloga Aline Nascimento.

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“Compras desnecessárias geram prazer em um curto prazo e isso concorre com as consequências negativas que impactam nas relações sociais, familiares, trabalho e atividades diárias. O consumismo se torna uma doença quando a pessoa acaba adquirindo coisas das quais não necessita e mesmo tentando, não consegue deixar de ter esse comportamento”, afirma.

De acordo com a psicóloga, o transtorno compulsivo demonstra que, em geral, há necessidades a serem supridas na vida do indivíduo, que busca no ato de “comprar” a felicidade.

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“O prazer inegável de adquirir bens acaba fazendo que as pessoas passem por momentos difíceis, pois elas não possuem controle próprio e acabam adquirindo mais e mais, causando prejuízos financeiros e desperdício dos bens obtidos, pois muitas vezes sequer usam o produto”, explica Aline.

Para falar sobre os dramas reais vividos em conseqüência do consumo compulsivo, a Folha Extra entrevistou Maria Vitória (nome fictício usado para preservar a imagem da entrevistada).

Maria sempre foi vaidosa e, após ingressar no mercado de trabalho, também entrou no mundo consumista, nos primeiros meses de independência financeira, ela sentia a necessidade de fazer compras todos os dias.

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Contudo, junto com às novas mercadoria, vinha o desespero ao ver que estava devendo mais do que poderia pagar. “Durante cerca de 10 anos de consumismo eu me vi em uma bola de neve, pois eu entrava em empréstimos, recorria a agiotas, fazendo uma conta para cobrir outra. Quando eu saía das dívidas pensava, agora não vou comprar mais, mas quando eu via já estava toda endividada de novo”, conta.

Maria só foi perceber que as compras compulsivas eram um problema quando chegou a dever mais de R$ 25 mil em objetos como roupas e sapatos. “Eu cheguei a não querer sair na rua com medo de ser cobrada, nisso surgia o desespero e o arrependimento de ter comprado naqueles momentos depressivos, de estresse e angústia. O dia que eu comprava era perfeito, mas depois se tornava um pesadelo”, desabafa.

Atualmente, o marido de Maria recebe seu salário e quita suas dívidas para que ela não caia em novas compras desnecessárias, já faz aproximadamente um mês que ela não compra coisas supérfluas.

Em casos como o abordado na matéria, a psicóloga Aline indica acompanhamento psicoterapêutico, em situações mais severas, pode haver a necessidade de acompanhamento médico e farmacológico.

No entanto, a profissional cita que qualquer pessoa pode ficar atenta aos seus hábitos de consumo e perceber qual a interferência deles na vida cotidiana, procurando assim, ajuda antes que a situação saia do controle.

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