Produtores de soja do Paraná estão aproveitando a estiagem desta semana para colher os grãos das lavouras paranaenses. De acordo com dados divulgados pelo Boletim de Conjuntura Agropecuária, em uma semana o a área colhida saltou de 17% para 30%. Apesar disso, a média ainda é inferior a registrada em outras safras.
Apesar dos contratempos, dados do Deral (Departamento de Economia Rural) e da Seab (Secretaria da Agricultura e Abastecimento) apontam que a safra deste ano deve surpreender positivamente. O Paraná tem atualmente 5,7 milhões de hectares plantados com o grão nesta safra.
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Por outro lado, alguns fatores têm preocupado os especialistas, tanto no campo quanto na bolsa de valores. Com a média de chuvas bem acima do normal, há preocupação em relação a incidência de doenças, o que acaba encarecendo a produção devido a necessidade de mais fungicidas. Outro fator está relacionado a venda que, conforme a cotação atual do dólar, apresenta um cenário desfavorável ao produtor. No mês de fevereiro deste ano, o valor da saca de soja esteve na casa dos R$ 158,14, sendo o menor preço registrado desde dezembro de 2021.
Na hora de colocar a mão na massa, ou melhor, o trator na lavoura, o clima também não tem colaborado visto que o grande volume de chuvas tem prejudicado a circulação dos maquinários nas áreas plantadas. Além disso, é preciso que as plantas estejam desecadas para melhor aproveitamento e qualidade dos grãos.
Mesmo com obstáculos relacionados as chuvas tanto na hora de plantar quanto na hora de colher, a estimativa é de que o estado produza neste ano mais de 20 milhões de toneladas, quase o dobro das 12 milhões de toneladas da safra 2021/22, ou seja, o maior volume da história, mantendo o estado como o segundo maior produtor do grão no Brasil ficando atrás apenas do Mato Grosso.
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No cenário nacional, os dados do 6º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que o país deve colher na safra 2022/23 mais de 150 milhões de toneladas de soja. Caso os números sejam comprovados, o país vai registrar um aumento de quase 30 milhões de toneladas em relação a safra de 2021/22 quando foram colhidas 123 milhões de toneladas do grão.
O cenário é animador em relação a quantidade de grãos produzidos, mas alguns fatores tem preocupado em outros aspectos. As condições climáticas registradas tanto no momento do plantio quando na hora da colheita, principalmente no que diz respeito as chuvas, tem feito com que o processo de colheita venha avançando em um volume abaixo do registrado na safra passada.
O ritmo mais lento para colher devido as chuvas, assim como em algumas áreas a lavoura foi plantada de forma tardia, tem preocupado em relação ao plantio de outras culturas da safrinha, como é o caso do milho e do algodão. De acordo com os números, cerca de 63% da área prevista para o milho segunda safra ainda está semeada. Neste caso, os especialistas alertam os produtores para que tenham cuidado ao realizar o plantio da segunda safra fora da janela de semeadura, pois isso pode trazer a incidência de doenças e diminuir a produtividade da lavoura.
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Ainda assim, a expectativa para produção dos grãos da segunda safra ainda é positiva. A colheita estimada é de quase 27 milhões de toneladas, o que representaria 7% a mais do que o volume registrado na safrinha 21/22.