A desinformação, falta de interesse ou até mesmo a adesão a ideologia de grupos anti-vacinas têm colocado em risco o futuro da saúde das crianças brasileiras e fazendo com que doenças que já foram erradicadas voltem a ser registradas no Brasil. Um dos casos que mais preocupam os órgãos de saúde é a Paralisia Infantil.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), desde 2015 o país vem registrando baixas na procura por vacinas importantes para as crianças o que tem resultado em queda nas coberturas vacinais. Isso fez com que a SBIm lançasse, na segunda-feira (22), uma campanha em favor da imunização contra a Paralisia Infantil.
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A preocupação em torno do risco da doença voltar a ser um problema no país é grande. A póliomelite, popularmente conhecida como Paralisia Infantil, foi erradicada no país no fim da década de 1980, mas novos casos voltaram a ser registrados. A situação tem coincidido com a queda na cobertura vacinal, o que tem preocupado pesquisadores. A estimativa é de que três a cada dez bebês nascidos no ano de 2021 não tenham recebido nenhuma das três doses da vacina contra a doença.
As doses de imunização contra a Paralisia Infantil são previstas aos dois, quatro e seis meses di idade. A partir daí, a criança ainda recebe duas doses de reforço sendo uma aos 15 meses e outra aos quatro anos. Os números que tem preocupado vêm do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações que aponta que 54% das crianças não completaram o ciclo vacinal, ou seja, mais da metade. A meta do Ministério da Saúde para manter a doença erradicada é de 95% dos pequenos imunizados com todas as doses.
De acordo com o presidente da SBIm, Juarez Cunha, além de ressaltar a importância da imunização, o principal objetivo no momento é colocar em dia as vacinas das crianças que estão com o ciclo incompleto. “É muito importante que as crianças que não foram vacinadas sejam levadas aos postos para receber as doses. Os pais que já vacinaram seus filhos, também podem levar as crianças para receber a dose de reforço. É uma questão importante, pois não há um tratamento específico para essa doença. A única ferramenta de proteção é a vacina que são seguras, eficazes e gratuitas”, comentou.
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A poliomielite é uma doença que apresenta transmissão, principalmente, pela via oral-fecal, por meio de água, alimentos e objetos contaminados com as fezes do indivíduo doente. A doença pode, ainda, ser transmitida de uma pessoa para outra por meio de secreções nasofaríngeas, as quais são eliminadas pelo doente quando fala, espirra ou tosse.

Pela principal forma de transmissão ser via oral-fecal, fica claro que em locais onde o saneamento básico é precário e as pessoas não apresentam hábitos de higiene pessoal adequados, a transmissão ocorre de maneira mais acentuada.
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Juarez ainda destacou que as pessoas não podem se apegar a falsa sensação de tranquilidade que a erradicação de uma doença traz, pois para manter esse cenário, é necessário que a população continue em dia com as vacinas. "Um dos grandes problemas que levam a uma baixa adesão à vacinação é a falsa sensação de segurança em relação a doenças que as pessoas só não conhecem, ou nunca viram, porque foram vacinadas contra elas", lembrou.
Embora a maioria das pessoas que contraem a doença não apresentem sintomas severos, a doença é grave e pode levar a morte. A infecção pelo poliovírus pode se desenvolver no paciente em forma de uma paralisia irreversível que afeta principalmente os membros com maior frequência nas pernas. Além disso, de 5 a 10% dos pacientes morrem em decorrência da paralisia de músculos respiratórios.
Para tentar reverter esse cenário e garantir que a doença fique longe das crianças brasileiras, a campanha da SBIm irá utilizar de meios de comunicação, principalmente através da internet e redes sociais, para destacar as ameaças que a doença apresenta para o futuro das crianças. O material deve contar com depoimentos de pessoas que carregam até hoje as sequelas causadas pela pólio.