O Núcleo Maria da Penha (Numape) da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Campus de Jacarezinho, promove neste mês de novembro e início de dezembro diversas ações da campanha “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”, envolvendo atos nas redes sociais e também eventos presenciais.
O Numape da UENP antecipou o início das atividades para o dia 20 de novembro, para marcar também o Dia da Consciência Negra. Assim, desenvolveu uma série de ações para tratar da campanha nos meios online e offline. No perfil do Instagram, o Núcleo postou nos “Stories” uma série de fotos interativas para explicar sobre o surgimento, as propostas e as características dos 16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher. Publicou também vídeos de acadêmicas da UENP explicando sobre a campanha.
Promoveu também aula de Defesa Pessoal Feminina, com o professor de Karatê Paulo Alexandre Chrispim, de Jacarezinho. O evento arrecadou alimentos não perecíveis para serem doados à Comunidade Feminina de Assistência às Dependentes de Drogas (Cofadd).
Uma das ações mais marcantes da campanha foi realizada com a colaboração de mulheres da comunidade acadêmica da UENP, incluindo até mesmo a reitora da UENP, professora Fátima Aparecida da Cruz Padoan. Exposição fotográfica inspirada na obra “Nunca me calarei”, do fotógrafo Marcio Freire, exibe mulheres em preto e branco com marcas de mãos na boca, no pescoço e em outras partes do corpo, pintadas em vermelho, simbolizando a violência. As imagens são publicadas diariamente nas redes sociais do Numape e da UENP acompanhadas de textos informativos sobre diversos aspectos do movimento feminista no Brasil e no mundo.
A empresária Verônica Regina Carvalho Freire Smania, de 34 anos, foi uma das mulheres que emprestou seu rosto à campanha do Numape. Ela comenta sobre a importância da conscientização pelo ativismo da mulher.
“É importante contar às mulheres que elas têm poder e devem ser envolver no ativismo. Quando eu era jovem, violência contra a mulher era tabú. Se acontecia, ficava entre quatro paredes. Temos que falar para as mulheres que elas devem sim denunciar o agressor”, relata.
A filha de Verônica, Ana Beatriz Freire Smania, de 18 anos, também participou da exibição fotográfica. Ela conta que nunca havia participado de campanhas feministas, e que sente a importância de ações como a promovida pelo Numape. “A violência contra a mulher é persistente e muitas ainda não se sentem bem para falar sobre, denunciar. Por isso, precisamos mostrar, conscientizar, que é possível sim lutar contra essa violência”, afirma.
Segundo a advogada do Numape, Brunna Rabelo Santiago, ações como esta trazem esclarecimento sobre o movimento feminista e promovem intercâmbios entre as mulheres. “As pessoas têm uma ideia errônea do que é o feminismo, por conta de uma distorção feita pela própria mídia. Não existe um padrão, lutamos contra o padrão, o foco é a liberdade na busca por uma igualdade. Esse intercâmbio é fundamental para que todas entendam que independentemente de posicionamentos específicos, estamos todas juntas”, afirma.
Bruna também destaca a boa recepção da comunidade de Jacarezinho, embora reconheça que ainda há muito o que avançar. “Jacarezinho abraça a causa e compreende a necessidade de se lutar por uma maior inserção da mulher na sociedade. Mas vejo também uma certa adaptação em relação ao ativismo em si. O significado de ativismo é uma luta engajada, ou seja, deve ser trabalhado diariamente. Sinto que essa consciência ainda está em processo de construção aqui”, acrescenta.


