O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, cumpriu na manhã desta quinta-feira (6), seis mandados de prisão temporária e dois mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões nas residências de suspeitos de integrarem uma organização criminosa. Os mandados foram cumpridos em Siqueira Campos, Quatiguá, Curitiba, Imbituva e Piraquara.
De acordo com as investigações, realizadas pelo núcleo de Guarapuava do Gaeco, a organização criminosa constituía e utilizava empresas de fachada, cujos sócios formais eram “laranjas” que concordavam com a manobra, em favor especialmente de dois dos investigados. As empresas eram utilizadas para emissão de notas fiscais fraudulentas, geração fraudulenta de créditos de ICMS e movimentação e dissimulação de valores. É investigado também o envolvimento de contadores na constituição fraudulenta das empresas e nos crimes daí decorrentes.
Os dois principais beneficiados pelo esquema, durante um período pouco maior de dois anos de existência da empresa (de 2/12/13 a 26/1/16), movimentaram aproximadamente um milhão de reais, mediante transferências bancárias para suas contas particulares, além de realizarem pagamentos de contas pessoais por meio das contas bancárias da empresa.
A maior das empresas “fantasmas” gerou uma dívida tributária com a receita estadual do Paraná no valor de aproximadamente R$ 17, 4 milhões. A movimentação da empresa atingiu quase R$ 350 milhões em cerca de dois anos de existência (de 2/12/13 a 9/6/15).
Norte Pioneiro
A reportagem apurou com exclusividade que, na região de Siqueira Campos e Quatiguá, os envolvidos que tiveram a prisão preventiva decretada são José Estevam de Carvalho e Franklin M. de Carvalho, pai e filho. Ambos são apontados pelas investigações como os proprietários da Maed - Comércio e Transportes de Cereais Ltda, aberta em 2013. O esquema da empresa fantasma era utilizado principalmente para obter dinheiro de bancos, ao passo que também burlavam a fiscalização com documentos falsos.
Outras seis pessoas faziam parte da empresa e tiveram decretadas as prisões temporárias, sendo dois contadores, dois laranjas (sócios) e duas pessoas que "emprestavam" seus nomes em troca de dinheiro.
Além das prisões, os agentes do Gaeco também cumpriram mandados de busca e apreensão na fazenda de José Estevam de Carvalho.


