Em entrevista exclusiva à Folha Extra na quarta-feira (27), o ex-governador Beto Richa comentou como foi sua prisão em 2018 e abordou outros temas, como a possibilidade de se lançar candidato novamente.
Fora do cenário político desde as últimas eleições, Beto Richa afirma que adotou o silêncio para ter paz para atuar na sua defesa. Disse ainda que foi uma arbitrariedade o que enfrentou. “Recebi aquilo com surpresa, indignado. Foi uma arbitrariedade, uma ilegalidade, crueldade, e com a minha família foi covardia o que eles fizeram. Invadiram minha casa fortemente armados com fuzis e eu e minha esposa fomos sequestrados de casa há poucos dias da eleição, então, não foi um processo jurídico e sim um processo político-eleitoral”, declarou o ex-governador.
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Beto Richa, ainda falou da atuação do Ministério Público. Na semana passada, um procurador ex-integrante da extinta força-tarefa da Lava Jato foi demitido após sofrer um julgamento no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). “Respeito e continuo respeitando o Ministério Público, mas têm pessoas que não tem estrutura emocional e estrutura pessoal para tanto poder. Tem gente que não comunga da nossa ideologia e usam da capa protetora quem tem de todo esse poder que acham que é vitalício, mas não é, tem um que foi pedido a demissão do Ministério Público, foi afastado da “Lava-Jato”, esse foi o principal mentor das armações que aconteceram comigo”, afirmou o entrevistado.
Segundo o político, sua passagem como prefeito da capital e governador do Estado foi marcada por grandes mudanças, elencando como a reforma da previdência dos servidores e o resgate aéreo. “Na campanha que eu assumi o compromisso de implantar este resgate aéreo, o meu adversário fez em um programa eleitoral um helicóptero de açúcar e bateu a mão e esfarelou fazendo que era brincadeira de criança, tá aí, é um sucesso absoluto, salva vidas todos os dias, com pessoas traumatizadas em acidentes rodoviários, bebes recém-nascidos que precisam ser deslocados rapidamente para uma cidade maior, com infarto e uma série de necessidades. Na saúde nós triplicamos o orçamento.”, pontuou o ex-Governador.
Perguntado sobre o Norte Pioneiro, o ex-governador disse conhecer muito bem, pois iniciou sua vida política na região destacando que sua família é oriunda do norte velho. “Meu pai foi criado no distrito rural de Joaquim Távora, hoje chamado de São Roque do Pinhal, estudou em Carlópolis, estudou em Wenceslau no Colégio Sebastião Paraná, estudou no Miguel Dias em Joaquim Távora, estudou interno no Cristo Rei em Jacarezinho. A família da minha mãe é de Jacarezinho, a família da minha mulher, fundadores do Banco Bamerindus é de Tomazina, os nossos vínculos com o Norte Pioneiro são muito fortes”, destacou Beto.
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Nos bastidores da política paranaense se comenta sua possível volta como candidato a deputado federal em 2022 e, questionado sobre os rumores, Richa respondeu. “Eu me sinto orgulhoso, o reconhecimento do trabalho que nós fizemos no governo, das boas parcerias que fizemos com os prefeitos, independente da orientação ideológica, nunca persegui ninguém, sempre fui de estabelecer parcerias em prol da população, hoje tem um desejo não só de lideranças políticas como da iniciativa privada que a gente volte, porque acompanharam nosso trabalho, acompanharam os resultados. Nesse momento turbulento da política nacional, de instabilidade, eles acham que eu deveria voltar, mas eu nunca sofri de ansiedade e tudo deve ocorrer no seu devido momento. As coisas acontecem na minha vida de maneira natural, sem passar ninguém para trás, sem agredir, isso é um mal hoje, muita intolerância, sobre tudo nas redes sociais, o que não leva a nada. O momento é de construção e pelo meu estilo eles acham que eu devo voltar, estou indo para o interior, me sinto bem, eu vou avaliar, mas isso passa pelo convencimento da minha família, que foi agredida, está indignada, minha esposa resiste a que eu volte e eu dou razão para ela, mas eu não aceito ir pra casa humilhado também, mas só volto com o consentimento da minha família”, concluiu Richa.