A estiagem já vem a alguns meses afetando o fornecimento de água em municípios de diferentes regiões do estado do Paraná. Em alguns locais como na capital Curitiba e Região Metropolitana, o esquema de rodízio já é realidade há algum tempo. Com a falta de chuva e o tempo seco, a Sanepar tem feito alerta sobre o risco de faltar água para consumo da população, inclusive, em municípios que ficam situados no Norte Pioneiro.
De acordo com a Companhia, as cidades de Santo Antônio da Platina, Ibaiti, Quatiguá, Siqueira Campos, Carlópolis e Jacarezinho estão na lista de alerta de rodízio e, para que a população não seja prejudicada com a falta d’água, a orientação da empresa é que seja feito o uso racional.
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A companhia informa que as chuvas estão abaixo da média e isso faz com que haja redução na vazão de rios e volume de água de poços que são utilizados para captação de água para consumo humano. Através do emprego do sistema de rodízio, a Sanepar tem evitado que os sistemas entrem em colapso e um grande número de pessoas fique sem água, regulando assim a distribuição para que chegue a toda população.
Além do impacto no abastecimento de água, a estiagem também causa outros problemas como os relacionados a saúde das pessoas e na área de produção agrícola. De acordo com nota da Sanepar, o estado já registrou perdas consideráveis na produção agrícola devido a falta de chuva e os prejuízos que a seca traz para plantações, cuidados com animais entre outras áreas.
No Paraná, as perdas provocadas pela estiagem repercutem em toda a cadeia alimentar. Sem chuvas significativas no momento do plantio de grãos, muitos produtores atrasaram a semeadura, fazendo com que a produção sofresse impacto de pragas e de geadas fora dos ciclos convencionais.
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A quebra na produção de milho foi de 58% na segunda safra em relação ao mesmo período da cultura em 2020. Segundo o Departamento de Economia Rural da Secretaria do Estado da Agricultura (Deral), a estimativa inicial era colher 14,6 milhões de toneladas de milho em 2,5 milhões de hectares no estado. Sem chuvas suficientes, os agricultores paranaenses colheram 6,1 milhões de toneladas na mesma área plantada. Isso significa um prejuízo de R$ 12 bilhões na economia.
Também há registro de aumento no número de queimadas que, além de representarem perigo ambiental, a vida, a fauna e a flora, também prejudicam ainda mais os problemas respiratórios comuns nesta época do ano devido a baixa umidade do ar e a fumaça.
Em julho, houve 1.505 focos de queimadas no Paraná, 125% a mais que no mesmo mês do ano passado, quando 669 ocorrências foram confirmadas. Nos primeiros dias de agosto, as ocorrências mais do que dobraram, passando de 674 registros entre os dias 1º e 8 de agosto, contra 329 no mesmo período de 2020.
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O tempo seco contribui para o ressecamento da mucosa das vias aéreas o que acaba facilitando o surgimento de alergias, asma, bronquite, dermatites, gripes e resfriados. E como consequência infecções bacterianas secundárias como pneumonia, sinusite, otites e laringites, segundo o pneumopediatra José Orlando Nonino. Como prevenção às doenças respiratórias, o médico indica boa alimentação e a ingestão de água regularmente. "A criança deve receber líquidos várias vezes ao dia. Claro, esses líquidos podem ser o leite, podem ser o suco, mas, principalmente, água."
A Sanepar orienta que a população faça o uso racional da água fechando bem as torneiras, conferindo vazamentos na residência, economizando na hora de escovar os dentes e tomar banho, evitar lavar carros e calçadas, reduzir o volume de água utilizado para lavar roupas e louças. Sempre que possível reutilizar a água.