Imagens de câmera de vigilância mostram parlamentar próximo ao veículo em que a droga foi encontrada, ele rebate as acusações
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Dois vereadores do município de Santana do Itararé se envolveram em uma situação polêmica na última quarta-feira (07) após a equipe da Polícia Militar encontrar um envelope de cocaína na caminhonete de um dos parlamentares.
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A droga foi encontrada no veículo do vereador José Devalmir dos Santos, o Coquinho, durante abordagem da PM após os policiais receberem uma denúncia anônima. Porém, um vídeo de uma câmera de vigilância entregue a polícia mostra o vereador Gilson Egídio momentos antes do flagrante abrindo uma das portas do veículo, o que levantou suspeitas de que a droga teria sido plantada. Vale ressaltar que ambos são do mesmo partido o PDT.
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Entenda o Caso
Tudo começou quando a equipe da Polícia Militar recebeu a informação que uma pessoa que estava com uma caminhonete Hilux estaria em posse de drogas, sendo informada inclusive a placa do veículo e que este estava em um bar situado a Rua Paraná. O solicitante ainda informou que a droga seria levada para ser comercializada em Itaporanga/sp.
Diante da informação, a equipe da PM montou um ponto de observação próximo ao bar e, cerca de 15 minutos depois, a caminhonete deixou o local. Após acompanhamento tático, os policiais realizaram a abordagem do veículo sendo constatada a presença de três ocupantes, dentre eles um adolescente de 17 anos, dos quais durante busca pessoal nada de ilícito foi encontrado. Porém, durante as buscas no veículo os policiais encontraram a droga em uma bolsa fixa ao banco do motorista.
Frente aos fatos, o trio foi encaminhado ao destacamento da Polícia Militar onde, na sequência, o vereador José Devalmir se apresentou como proprietário da caminhonete e relatou ter emprestado o veículo para o condutor a fim de que ele buscasse alguns amigos para jogar futebol em um campo no município de Itaporanga/SP. Ao ser informado sobre a cocaína, o vereador disse não ser usuário da droga e desconhecer sua origem, assim como afirmou não saber se os ocupantes da caminhonete no momento da abordagem usassem o entorpecente.
A situação tomou outro rumo quando, no momento em que os policiais terminavam de confeccionar a documentação inerente ao caso, à equipe recebeu um vídeo onde as imagens mostram o vereador Gilson próximo ao veículo e abrindo uma das portas da caminhonete. Apesar disso, as imagens não deixam claro se o parlamentar realmente teria colocado ou não alguma coisa na caminhonete.
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Esquerda: José Devalmir - Direita: Gilson Egídio.[/caption]
Polêmica
Assim que o vídeo da situação ganhou as redes sociais o caso gerou polêmica entre os moradores do município e ambos os vereadores se apresentam como vítimas da situação.
De um lado, o vereador José Devalmir relatou que há algum tempo vem sofrendo perseguição política no município e negou o seu envolvimento com drogas. “Não é de hoje que sou perseguido politicamente e agora que estou bem nas pesquisas, infelizmente chegamos a esta situação. Não tenho droga nenhuma e nem mexo com isso. A cocaína foi encontrada na bolsinha da porta da caminhonete que ele abriu e dá para ver isso na filmagem e foi só caminhonete sair que a polícia já fez a abordagem. Eu acredito que ele pensasse que fosse eu que iria sair, mas como estava jogando baralho emprestei para outra pessoa. Já procurei meu advogado para ver quais decisões tomaremos daqui em diante”, declarou o parlamentar.
Já o vereador Gilson rebateu as acusações e deu sua versão sobre os fatos. “Primeiro que nunca tive histórico de envolvimento com drogas. As imagens realmente mostram que estou perto da caminhonete, mas minha intenção era totalmente diferente. Eu vi que ele estava com alguns adesivos no banco de trás e resolvi colar um da minha campanha na caminhonete dele e um dele na minha caminhonete. Quando abri a porta me deparei com a droga encima do banco, fechei e saí”, explicou.
“Não vou acusar que a droga seja dele, mas eu jamais faria esse tipo de armação. Além disso, eu sabia que aquele local tinha uma câmera porque frequento o bar há dois anos e estava cheio de gente lá, então se fosse mesmo para prejudicar o vereador poderia ter feito isso em Itaporanga onde a gente ia jogar bola junto ou ter colocado uma quantidade de droga bem maior. Não faz sentido”, comentou Gilson.
Ambos os vereadores dizem já ter acionado suas defesas para cuidar do caso que, agora, deve ser analisado pelo delegado Miguel Chibani da delegacia da Polícia Civil de Wenceslau Braz responsável pela cidade de Santana. A Folha Extra tentou contato com o delegado para saber mais detalhes das investigações, mas o mesmo esta de folga devido a uma série de plantões que vem cumprindo nos últimos dias.