Segundo dados da SESA, número de diagnósticos entre pacientes com até nove anos de idade cresceu 349,69% em um mês
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O novo coronavírus é uma doença que não poupa as pessoas por gênero e idade infectando pacientes de diversas faixas etárias. Se no início da pandemia a grande preocupação estava voltada aos grupos de risco como idosos e pessoas com doenças crônicas, a doença agora preocupa pelo crescimento no número de crianças infectadas com o vírus.
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De acordo com dados da SESA divulgados nesta semana, em um período de 30 dias entre os meses de junho e julho foi registrado um aumento de 349% no número de crianças com idade entre zero a nove anos diagnosticadas com a doença, isso é, no dia 26 de junho eram 481 menores com a Covid-19 número que chegou a 3,1 mil no último domingo (26). Se por um lado esta situação preocupa as autoridades de Saúde do Estado, em outro paralelo começam a ser debatidas medidas de retomada das aulas presenciais.
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Nesta segunda-feira (27), por exemplo, o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe) protocolou junto a prefeitos e secretários de Saúde de 46 municípios um pedido solicitando a retomada gradual das aulas da Educação infantil. Dentre as cidades que compõem a lista está Joaquim Távora no Norte Pioneiro.
Esther Cristina Pereira, presidente do Sinepe/PR, justificou o pedido apontando que as aulas online estão afetando o aprendizado e desenvolvimento das crianças de zero a cinco anos, além do fato de que os pais precisam trabalhar. “Inicialmente, nossa proposta é que essa retomada seja gradual, priorizando os pais que prestem serviços essenciais. Todas as instituições associadas ao sindicato estão cientes das medidas que serão necessárias nesse retorno”, reforça Esther.
O Banco Internacional do Desenvolvimento (BID) também divulgou um documento com recomendações de retomada gradual das aulas destacando que o processo deve começar pelas séries iniciais e ressaltando a importância do distanciamento social. A entidade ainda propõe que seja realizada a limpeza e desinfecção das salas de aulas diariamente entre os turnos.
Nesta terça-feira (28), o deputado Luiz Claudio Romanelli comentou as orientações do BID em relação ao retorno das aulas. “Sabemos que a Covid-19 é um inimigo oculto e coletivo. No entanto, a retomada das atividades precisa acontecer progressivamente, mas com todos os cuidados necessários para que o ambiente escolar seja neutralizado do vírus”, disse Romanelli.
Além dos pequenos, a taxa de contaminação entre pessoas com idade entre dez e 19 anos teve um saldo de 433,53%, o maior entre todas as faixas etárias. No Norte Pioneiro, uma menina de dez anos moradora de Ribeirão Claro morreu vítima da Covid-19. Tanto no caso das crianças quanto dos adolescentes, a principal preocupação dos especialistas é com relação a estes indivíduos atuarem como vetores da doença, pois, os dados apontam que são pacientes que não sofrem tanto com a infecção, mas podem estar contaminando demais pessoas e fazendo com que a doença chegue a quem faz parte do grupo de risco.
Um estudo realizado pela FioCruz (Fundação Osvaldo Cruz) aponta que este pode ser um cenário de risco, uma vez que cerca de 9,3 milhões de pessoas que fazem parte do grupo de risco residem com crianças em idade escolar. De acordo com os especialistas, a situação pode aumentar a demanda por vagas em UTI’s e potencializar a taxa de mortalidade da doença.
Enquanto isso, o governo do estado criou o “Comitê Volta as Aulas” para discutir o assunto e buscar por opções que tornem o processo possível e mais seguro. Porém, de acordo com nota da Secretaria de Estado da Saúde e declarações do governador Ratinho Júnior, o retorno das aulas presenciais no Paraná não deve acontecer antes de setembro. Há a expectativa de que o comitê apresente suas propostas e protocolos nos próximos dias.
Da Redação/Agências