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As Ruínas da Parmalat

As Ruínas da Parmalat

Parmalat

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Antiga Parmalat de Wenceslau Braz está há mais de uma década abandonada

O principal braço da multinacional no Paraná hoje é apenas ruínas e mato, que em nada lembram os anos de uma forte e rentável atividade.

Para o mercado em geral, uma das maiores multinacionais do mundo. Para centenas de produtores de leite, a principal (ou até a única) fonte de renda. Neste cenário funcionava a Parmalat de Wenceslau Braz, um dos três braços do Paraná e a central de capitação de leite do Estado. Por ali chegaram a passar quase 25 mil litros de leite por dia – número esse considerado grande na época – vindos de 600 produtores, sendo que praticamente metade disso só de produtores brazenses.

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A rotina de captar o leite e o enviar para a fábrica que iria fazer a industrialização do produto, em Jundiaí / SP, durou por anos. Uma fachada imponente, às margens da PR-092 na vila Santa Madalena, abrigava uma estrutura grande que trabalhava de forma quase mecânica sendo um grande propulsor econômico no meio rural e, obviamente, gerando lucros para a matriz.

Um dia, porém, o dinheiro que era certo – e muito aguardado pelos fornecedores de leite – simplesmente não apareceu. O que deveria ser o resultado do trabalho de um mês inteiro foi meramente trocado por promessas e muito boatos envolvendo a multinacional italiana. Alguns ainda receberam uma pequena porcentagem do montante total.

No mês seguinte a promessa de que o acerto sairia não fui cumprida. Para alguns novamente uma pequena porcentagem, para outros nem isso. Fornecedores a essa altura já apreensivos também não viam a cor do dinheiro que lhes era devido.

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E aí os boatos de algo que parecia impossível de acontecer se concretizaram: a Parmalat estava falida. Claro que além de produtores de leite e prestadores de serviço, os funcionários da empresa também foram muito prejudicados. Muitos deles sem conseguirem receber acertos trabalhistas ou até mesmo salários.

Mais de uma década depois os milhares litros de leite foram substituídos por mato. Caminhões que transportavam o leite foram substituídos por garrafas quebradas de bebidas alcoólicas. E a esperança de uma fonte de renda substituída por um ar entristecedor e até meio macabro de completo abandono.

As paredes em completas ruínas e o matagal quase na altura da cintura em nada lembram que ali funcionava o pilar da multinacional no Estado. Para quem não conhece o lugar só o letreiro anexado em uma das paredes, que permanece completamente visível e sem maiores sinais de deterioração, esclarece e por si só já conta a história do local – já que o escândalo envolvendo o colapso da Parmalat foi mundialmente e amplamente divulgado, assim como a prisão dos donos e fundadores, que fraudaram em milhões a própria companhia.

Um antigo funcionário de empresa em Wenceslau Braz aceita conversar com a equipe da Folha Extra, porém com uma condição: não quer que seu nome seja divulgado. Ele conta que trabalhou na Parmalat por quase 20 anos, porém acabou saindo da empresa antes da falência.

“Até hoje ainda recebo cobranças de pessoas que a Parmalat ficou devendo. Mas nem eu e nem nenhum funcionário temos culpa, até porque muitos dos próprios funcionários tiveram prejuízo com a empresa”, relata. “Eu acabei saindo da Parmalat antes de existir todo esse problema, mas pra mim foi um choque muito grande. Eu jamais esperava que um dia uma das maiores multinacionais do mundo iria falir”.

O ex-funcionário também relembra detalhes e curiosidades do cotidiano da empresa. Contudo, o mais surpreendente é a revelação de que a filial brazense da Parmalat iria acabar fechando com o passar do tempo devido a modernização do manuseio do leite. “Uma vez chegou um diretor de São Paulo e reclamou que a grama do pátio estava mais alta do que deveria. Ali tinha que ficar tudo impecável”, conta. “Mas a verdade é que de qualquer forma o destino da Parmalat em Wenceslau Braz era fechar. Hoje em dia é tudo diferente, os produtores e cooperativas enviam o leite direto para as fábricas, mas o problema mesmo daquele lugar é o atual abandono. Deveriam ter cuidado melhor e aproveitado o espaço com alguma coisa produtiva para a cidade”.

A respeito do antigo maquinário, ele conta que boa parte das coisas acabaram sendo vendidas em leilão, quase sempre por um preço insignificante perante o valor real.

Perguntado sobre qual sentimento surge ao transitar pelas redondezas da empresa o antigo funcionário afirma que evita até de passar por perto. “Olha, passei por ali uma vez, vi aquele abandono todo e nunca mais quis passar na frente, não tem como não ficar triste. Não sei quem é o dono atual, se é da empresa ou se está em alguma disputa judicial, mas é uma pena ver um espaço daquele totalmente depredado e largado”, afirma.

Por fim ele faz questão de destacar que, apesar dos pesares, ainda é grato a Parmalat. “Claro que existem mágoas, e foi muito triste a forma como a empresa acabou, agora eu não posso negar que sou grato sim, trabalhei por 18 anos lá, foi minha fonte de renda todo esse tempo e muito do que eu sei aprendi lá”.

Por LUCAS ALEIXO

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