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José Savogin

José Savogin

Jose Savoginmini

O talento e simplicidade de José Savogin

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José Savogin seria mais um cidadão aposentado normal como qualquer outro de Wenceslau Braz se não fosse por um diferencial: a arte.

Humilde, pacato, fala serena, pregador de princípios familiares e de honestidade. Tudo muito próximo a quem que já passou da casa dos 70 anos com bom caráter e boa índole. Mas a arte deste ex-bancário e ex-comerciante o torna uma figura especial entre os demais.

Artista nato, sequer sem ter muito estudo regular, quanto mais uma instrução propriamente da arte. O que sabe, aprendeu sozinho, seja observando, seja tirando de livros ou revistas.

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O começo da história entre José Savogin e a arte remete à sua infância, parte no município de Andirá, parte no município de Apucarana. De família humilde, não tinha condições de ter brinquedos comprados e aí a solução foi simples: construir os próprios.

Começou com carrinhos, passou para caminhões e até trens Savogin fabricou usando madeiras e as ferramentas do pai – isso no auge dos sete para oito anos de idade. “Como a gente não tinha condição de comprar um brinquedo, eu via as outras crianças com carrinhos e então tentava construir os meus próprios. No começo não ficavam tão bons, mas depois fui aprimorando, inclusive até vendia eles”, relembra, visivelmente emocionado com as lembranças que parecem tão claras e próximas.  “Depois nos mudamos para um lugar bem próximo de uma estação ferroviária, e aí que eu comecei a fazer pequenos trens também”.

A primeira grande obra do aposentado, de acordo com sua própria auto avaliação, foi com 11 anos. “Uma vez parou um caminhão perto de casa e eu entrei por baixo para ver como era e poder fazer igual mesmo, e então fiz em detalhes com chassi, carroceria, molas e suspensão, rodas, tudo certinho e realmente igual a um caminhão de verdade”, conta orgulhoso.

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Infelizmente a primeira obra de arte de Savogin teve um final trágico. “Quando eu fiz 13 anos comecei a ter vergonha de brincar de carrinho, então guardei esse caminhão embaixo do assoalho de casa, mas um dia quando eu fui procurar ele tinha sumido. Infelizmente roubaram, mas de qualquer forma eu não teria a consciência de guardar e com certeza eu não teria ele até hoje”.

Os desenhos também já faziam parte do gosto do artista, que sempre tentava reproduzir aquilo que observava a sua volta. “Sempre gostei de desenhar. Certa época eu trabalhava em um açougue do meu avô e quando não tinha movimento meu passatempo era ficar desenhando. Também fazia todos os trabalhos de desenhos da escola dos meus irmãos, primos e amigos. Já desenhava o Santos Dumont e o Dom Pedro de olhos fechados, de tantas vezes que fiz esses desenhos para a escola”, brinca.

Aos 16 anos Savogin começou a trabalhar no extinto Banco Comercial e aí teve oportunidade de poder estudar mais a respeito da arte, comprando revistas e livros. Aos 19 anos comprou a primeira tela, tintas e pincel para finalmente pintar um quadro. “Comprei tudo em Ourinhos e peguei carona com um caminhão para Andirá. Naquela época era normal, todo mundo andava de carona. E conversando com o caminhoneiro, distraído, desci na minha cidade e esqueci tudo que eu tinha comprado no caminhão. Perdi tudo”, conta. “Mas não fiquei chateado não. Pouco tempo depois comprei tudo de novo e aí sim comecei a pintar”

Nas primeiras telas o artista conta que a dificuldade foi grande, em virtude de pouquíssimo conhecimento teórico que tinha na época. “Fazia uns borrões, tinha muita dificuldade até para fazer uma paisagem, que é o mais simples. Com o tempo deu para melhorar, aprender algumas técnicas, mas até hoje tenho dificuldade”, afirma com extrema humildade, já que além de ter o talento reconhecido ainda lecionou para dezenas de pessoas durante todos estes anos.

Das telas de Savogin duas ganharam projeção: O Lixo e Amor em Chamas, porém a primeira é a preferida do artista. “O Lixo eu fiz em 1977 e foi uma criação minha. Estava cansado de apenas copiar coisas e queria uma criação própria. Então estava andando em Andirá e vi um terreno baldio onde era depositado lixo. Depois fui para o fundo da minha casa e tentei visualizar algo do tipo. E veio a inspiração e eu comecei a pintar”.

Esta obra ainda conseguiu, além do reconhecimento, render uma história cômica para seu criador. “Houve uma exposição em Foz do Iguaçu e eu inscrevi três obras, sendo que duas delas foram selecionadas entre mais de 900 inscritas. E saiu no jornal O Estado do Paraná que essa tela (O Lixo) tinha sido uma das premiadas. Quando eu cheguei lá em Foz descobri que ela não havia sido premiada, mas o jornalista responsável por cobrir o evento ficou tão indignado por ela não ser escolhida que brigou com os organizadores da exposição e colocou no jornal que ela havia sido premiada”, conta entre sorrisos.

Já a tela Amor em Chamas acabou premiada (de verdade) em uma exposição em Jaguariaíva, após concorrer com mais de 600 obras. “Eu fico feliz de ter um trabalho premiado, mas nunca me baseei nisso para pintar. Pinto porque gosto, não para ganhar dinheiro ou ser premiado”, destaca o artista.

Outro trabalho que Savogin gosta é a pintura de uma cidade imaginária criada por ele, sem copiar nada de ninguém, mesclando um “lado arquiteto e urbanista” do artista. “Eu gostaria de ver esse trabalho exposto para alunos de cursos como engenharia ou coisas do tipo, apenas para ver o que diriam. É algo que eu comecei muito antigamente, e recentemente dei continuidade, e que eu gosto bastante”.

Tanto que gosta que algumas das edificações pintadas por ele neste trabalho, como uma biblioteca em forma de livro e prédios com formatos diferentes do trivial, mereceram ser reproduzidos em esculturas de madeira.

Atualmente o artista continua pintando, inclusive sob encomenda. “Claro que agora tenho um ritmo mais calmo, mas continuo fazendo minhas telas. Sempre recebo encomendas para pintar casas antigas ou pessoas e vou fazendo”.

Savogin estima ter pintado entre 160 a 180 telas e mostra alguma frustração – ainda que pequena – por não ter estudado mais, tanto no ensino regular quanto na própria arte. “Talvez se eu estivesse estudado mais tivesse alguma chance como artista. Eu sempre quis ser um artista, mas sabia que para alguém no interior e com pouquíssimas condições financeiras era muito complicado, quase impossível. Mas também não tenho do que reclamar”.

Para o futuro o artista ainda projeta uma grande exposição com suas obras. “Fiz uma exposição só com minhas obras em 1998, apesar de ter participado de várias exposições, mas acho que já está na hora de fazer outra até para incentivar quem gosta de arte”.

Matéria gentilmente cedida pelo jornal Folha Extra.

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