Rafael José Vitor, morador da zona rural de Wenceslau Braz, reproduz em miniaturas caminhões e ônibus com uma qualidade que impressiona e já conquistou freguesia e admiradores.
O artista, com humildade, classifica seu trabalho como miniatura. Para os leigos e admiradores, o trabalho de Rafael José Vitor pode ser considerado réplicas fiéis de caminhões e ônibus, tamanha riqueza de detalhes e beleza dos veículos reproduzidos, em menores proporções, por ele. E detalhe: de forma artesanal.
Rafael conta que começou no ramo em 2009, e totalmente por acaso. “Eu trabalhava em uma loja de som automotivo e tinha um colega que era apaixonado por caminhões. Aí certo dia pegamos desses caminhões miniaturas comprados em postos de combustível e começamos e fazer melhorias nele. Aí eu falei que faria um caminhão miniatura pra mim e ele duvidou”, recorda.
O “desafio” do colega instigou o artista a desafiar as próprias habilidades na época e a falta de recursos. “Usando restos de madeiras que sobravam na loja eu fui fazendo aos poucos. Ficou horroroso, mas ainda sim mais bonito que os vendidos nos postos”.
E de fato, se comparado aos trabalhos atuais, o primeiro caminhão miniatura feito por Rafael é algo completamente amador. Só que, de lá pra cá, muita coisa mudou – inclusive a atuação profissional do artista, que mora na zona rural de Wenceslau Braz, ás margens da PR-092, já próximo a divisa do município com Siqueira Campos.
“Larguei três empregos para me dedicar aos caminhões, porque isso é o que eu gosto mesmo de fazer e hoje é de onde tiro minha renda”, afirma Rafael.
Escolha essa que dá todos os sinais de ter sido a correta. Desde que começou a produzir caminhões e ônibus em miniaturas, foram feitos mais de 60 unidades, e apenas um caminhão não foi vendido – aquele que Rafael dedicou à sua esposa.
O número pode não ser considerado grande, mas a explicação é até óbvia: o trabalho é minucioso, e demanda bastante tempo. “Em média, pra começar do zero, levo uns 15 dias pra fazer um caminhão”, detalha.
A saída encontrada pelo artista para tentar otimizar o trabalho é a fabricação de peças em boas quantidades. “Por exemplo, tem muitas peças que são do mesmo tamanho, então quando vou começar a produzir já faço várias para deixar guardadas e usar nos próximos caminhões e ônibus”.
E mesmo com a complexidade do trabalho – e a consequente demora em entregar pedidos – Rafael tem mais de 20 encomendas. “Acho que tenho umas 25 encomendas, nem sei certinho quantas são. É trabalho para o resto do ano”, comemora.
TRABALHOS
Sendo caminhões ou ônibus, Rafael aceita qualquer tipo de encomenda. “Já fiz de vários modelos, inclusive um Mercedez da década de 60 que só tinha uma foto antiga que mal dava pra ver o caminhão. Mas consegui fazer e o dono gostou bastante do trabalho. Não tenho muita preferência para esse ou outro”, conta.
Apesar de não haver preferências, o artista relata que os ônibus, que são a minoria das encomendas, acabam dando mais trabalho. “Pra fazer, o ônibus e o caminhão dão praticamente o mesmo trabalho, o problema é para pintar o ônibus que é muito mais difícil por conta dos desenhos e faixas”.
Hoje o trabalho de Rafael se limita a esses veículos, porém ele já pensa em ampliar a área de atuação. “Agora é difícil porque eu não tenho tempo, mas futuramente quero fazer carros também”.
FABRICAÇÃO
Para fabricar os caminhões e ônibus Rafael usa um material conhecido como MDF, que é um compensado de madeira, tinta própria para automóveis e led nos faróis e lanternas. A escala dos veículos é de 1:17.
“Eu faço 100% do trabalho, desde cortar o MDF e pintar até instalar os leds. E faço caminhões menores e também faço carretas e bitrens, ou com gaiola boiadeira ou carroceria simples. Todas as encomendas que eu peguei até hoje, consegui fazer. O maior que eu fiz tem 1,49m de comprimento”, conta.
Depois de tanto empenho, o artista admite que o apego aos trabalhos é tanto que ás vezes é até difícil fazer a entrega ao comprador. “Tem uns caminhões que dá vontade de ficar pra mim, mas é encomenda, fazer o que, né?”, brinca.
OFICINA
A oficina de Rafael é extremamente simples e não conta com grandes instrumentos modernos. Sem nunca ter tido uma aula neste ramo ou nada do gênero, o artista tem em um antigo estilete o maior parceiro para produzir suas miniaturas.
“A oficina aqui é bem simples, inclusive vou construir um lugar melhor para poder fazer meus caminhões e ônibus em breve, mas mesmo sendo meio rústico dá pra gente ir levando”, pontua.
A oficina pode ser simples, assim como as ferramentas e o próprio artista, mas o trabalho... bom, esse as imagens provam que é espetacular.
Quem quiser entrar em contato com Rafael pode fazê-lo pelo facebook, procurando por Rafael Vitor WB, ou através do telefone (43) 9953 0465.
Por LUCAS ALEIXO

