A expectativa de quebra da safra nos principais estados produtores de grãos do país deve se confirmar também no Norte Pioneiro e Campos Gerais. De acordo com novo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), o Paraná todo deve ter uma quebra de 16% na produção de soja. Com isso, estima-se colher 3 milhões de toneladas a menos do que a projeção inicial, que era de 19 milhões de toneladas.
Isso se deve, principalmente, à estiagem e ao forte calor que afetaram as principais produtoras, como é o caso do Norte Pioneiro, onde a alta temperatura em janeiro foi o principal fator.
“O que a gente vê é que a perda foi grande e generalizada, pois a falta de chuva prosseguiu e a perda de produtividade passou para regiões do Norte do Paraná. E não foram só os plantios mais adiantados que foram prejudicados, mas também as áreas plantadas depois da metade de setembro”, analisa a engenheira agrônoma da Faep Ana Paula Kowalski.
“O que a gente vê é que a perda foi grande e generalizada, pois a falta de chuva prosseguiu e a perda de produtividade passou para regiões do Norte do Paraná. E não foram só os plantios mais adiantados que foram prejudicados, mas também as áreas plantadas depois da metade de setembro”
Por outro lado, a perspectiva para a safrinha do milho no Paraná é boa. Com a antecipação da colheita da soja por causa do fator climático, o plantio do cereal também foi antecipado e, em se mantendo as condições climáticas atuais favoráveis, a produção deve chegar a 12,8 milhões de toneladas neste ano. Destaca-se o aumento de 4% na área cultivada, chegando a 2,2 milhões de hectares. “Ano passado tivemos uma safrinha muito ruim, com uma produção de 9,2 milhões de toneladas. Então, para esse ano, a expectativa é muito boa”, explica Marcelo Garrido Moreira, economista do Deral.
Entre janeiro e abril de 2019, as equipes da Expedição Safra vão percorrer quase 50 mil quilômetros em 12 estados das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, conversando com produtores, técnicos e pesquisadores. O roteiro inclui ainda visitas a áreas de produção agrícola no Paraguai, Argentina, Uruguai, México e Estados Unidos.
Além do levantamento quantitativo da safra, verificando tecnologia das lavouras, custos de produção e impacto do clima – o foco de centenas de entrevistas, depoimentos e coleta de dados será entender, e traduzir, os movimentos do mercado e desafios ligados à logística, à comercialização e ao consumo.
Neste ano, o projeto reforça uma discussão temática do projeto, que também passa pelas engenharias, em especial a Agronomia. A parceria com o Sistema Confea-Crea ajudará a dar ainda mais capilaridade à pesquisa de campo da Expedição, visto que o Confea representa 100 mil profissionais da engenharia agronômica no país.


